Médico explica benefícios da pele de tilápia para tratar queimadura, técnica usada em série americana


A técnica de utilizar pele de tilápia nos curativos de pacientes com queimadura foi mostrada no seriado americano The Good Doctor e é alvo de uma pesquisa desenvolvida pelo cirurgião plástico Marcelo Borges, coordenador do SOS Queimaduras e Feridas do Hospital São Marcos, na área central do Recife.

Em entrevista ao Bom Dia PE, ele detalhou os benefícios.Na série americana, disponível pelo GloboPlay, o tratamento é usado para curar uma queimadura decorrente de um acidente de ônibus. Marcelo Borges explica que a técnica é mais barata e rápida que o atual tratamento adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Segundo Borges, a utilização no sistema público vem sendo debatida pela Anvisa.

De acordo com o médico, a pele de tilápia na queimadura funciona como um curativo biológico tampando a ferida. “A pele de tilápia tem uma quantidade de colágeno duas vezes maior se comparada à pele humana. Nossa pesquisa, também mostra pequenos agrupamentos proteicos com propriedade antibiótica que protege contra dor, infecção e acelera a cicatrização”, explica.Atualmente, o SUS adota o uso de cremes cicatrizantes de aplicação diária.

“As queimaduras são muito doloridas e tem um alto risco de infecção”, alerta o cirurgião. Além de acelerar os efeitos curativos, o uso da pela de tilápia é mais barato.“O tratamento é 57% mais barato que os procedimentos do SUS e, com a menor quantidade de troca de curativos, já que a pele de tilápia adere a ferida com mais firmeza, esse valor reduz ainda mais”, afirma Marcelo Borges.Para ser considerada apta ao uso em humanos, a pele do peixe passa por um processo de limpeza, descontaminação e esterilização com radiação ionizante. O resultado é um tecido seguro para aplicabilidade em humanos.

A utilização da pele animal também diminui o descarte do couro da tilápia, que atualmente tem apenas 1% de aproveitamento, utilizado na criação de peças de artesanato, sendo todo o restante destinado ao lixo.

Fonte: G1.com

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