Ceará é o 5º estado do Brasil em mortes de jovens no trânsito


Por acidente de moto em 2014, Darly Silva da Costa, 25, não
consegue trabalhar e ainda aguarda passar por três cirurgias.

FOTO: Thiago Gadelha

Embora em queda nos últimos anos, o número de indenizações pagas do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) alerta para um cenário preocupante: a incidência de jovens nos sinistros. Em 2018, a Seguradora Líder emitiu 896 indenizações por mortes de pessoas entre 18 e 34 anos no Ceará, colocando o Estado como o 5º do Brasil em número de óbitos no trânsito nessa faixa etária. Acima dele no Nordeste somente a Bahia, com 1.053 mortes.

O balanço, levantado pelo Núcleo de Dados, aponta, no entanto, uma redução de 9,04% no número de indenizações concedidas por mortes de jovens se comparado a 2015, quando 985 morreram em acidentes de trânsito. Nesse ranking, o Estado ocupava a 6ª posição nacional nos últimos três anos.

Se levadas em consideração as indenizações pagas a essa faixa etária em 2018, a redução foi ainda maior, de 70% quando verificados os últimos quatro anos. A Seguradora Líder ressarciu 10.674 jovens vítimas de ocorrências no trânsito no ano passado, cerca de 47% de todas as compensações pagas no período.

Entre os jovens que receberam indenizações, ainda segundo o levantamento, 7.444 estavam na condição de motorista, o equivalente a cerca de 69,74% do total; 1.695 eram passageiros (15,88%) e 1.535 eram pedestres (14,38%).

Os dados revelam, ainda, que a moto foi o veículo utilizado pela imensa maioria das pessoas de 18 a 34 anos asseguradas pelo DPVAT no ano passado. Entre os veículos envolvidos em acidentes, 9.781 foram motocicletas (91,63%), 617 foram automóveis (5,78%) e 133 ciclomotores (1,25%).

Foi exatamente em cima de uma motocicleta que o porteiro Darly Silva da Costa viu sua vida mudar, para pior. Há cerca de cinco anos, o jovem – na época com 20 anos de idade – trafegava no Anel Viário como garupeiro quando um carro na contramão colidiu de frente com a moto em que estava. Darly teve fratura exposta na perna e acabou perdendo 15 centímetros do membro.

Até o momento, passou por dois procedimentos cirúrgicos e precisa de mais três, que desde 2017 tenta realizar no Instituto Dr. José Frota (IJF), uma vez que os cerca de R$ 7 mil indenizados pela Seguradora Líder na primeira parcela não foram suficientes para cobrir todas as despesas, segundo diz.

“Preciso de um enxerto ósseo, que é tirar uma parte do osso da bacia para preencher o fêmur; de uma cirurgia para cortar o osso e alongar a perna, que está mais curta do que a outra; e ainda refixar o aparelho que está na minha perna, pois está afrouxando a cada dia que passa.

Mas no IJF ainda não consegui porque todos os dias tem gente nova acidentada e eu tenho que ficar na fila do SUS”, afirma.
Enquanto os procedimentos não são realizados, o jovem amarga as limitações impostas pelo acidente, entre elas, o fato de não poder trabalhar e ajudar nas despesas da família.

“No dia do acidente, eu estava com apenas seis dias de casado. Após dois meses internado, minha esposa descobriu que estava grávida. Lutei contra a minha recuperação para ver o nascimento do meu filho. Hoje não tenho vida. Ele quer jogar bola e eu não posso. Minha esposa é nova, tem que viver, eu tenho que viver, mas não consigo”, lamenta.             

(Diário do Nordeste)

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