Filho cria vaquinha para tratamento de câncer cerebral da mãe


O filho percebeu que a mãe estava trocando algumas palavras em frases simples, uma espécie de confusão mental, e resolveu investigar. Uma consulta médica particular diagnosticou nela um câncer cerebral, que agora precisa de doações para o tratamento.

Este é o caso do estudante Daniel Braga, que criou uma “vaquinha online”, na modalidade crowdfunding, para ajudar a mãe, dona Antonia Braga, 60, a superar a doença.
A idosa passa por tratamento desde o ano passado e já enfrentou duas cirurgias, dois ciclos e 30 sessões de radioterapia.

A principal medicação é o álcool perílico, mas os recursos arrecadados no financiamento coletivo também custearão exames de imagem, suplementos alimentares e produtos de higiene. Criada em maio com o objetivo de arrecadar R$ 11 mil, a vaquinha somava nesta terça-feira (9) R$ 4.175,38, o que corresponde a 37,96%.

No começo dos sintomas, Dona Antônia acreditava que podia ser uma simples gripe, mas Daniel não se conformou e a levou a um neurologista. O primeiro diagnóstico do médico contratado foi de AVC, mas o profissional pediu uma ressonância, que identificou um tumor na cabeça. “O chão se abriu. Pensei que ia perder minha mãe”, relatou Daniel.

Desafios A idosa precisou de uma cirurgia de emergência para remover o tumor. Como a cirurgia era muito cara Daniel ficou sem saber o que fazer, mas o neurologista se prontificou a encaminhar o caso para os médicos do Instituto Doutor José Frota (IJF). Porém, com a demora no atendimento, um amigo conseguiu agendar a cirurgia pelo SUS no Hospital Batista, no dia 27 de setembro.

O procedimento cirúrgico foi um sucesso, mas a biópsia do tumor constatou que era maligno: glioblastoma multiforme, considerado agressivo, com crescimento rápido na região cerebral. Antônia foi submetida a 30 sessões de radioterapia. O próximo exame foi o Imunoistoquímico, que apontou para oligodendroglioma anaplásico, um tumor considerado de alto grau.

O passo seguinte no tratamento foi a quimioterapia oral, com o medicamento Temodal, de valor elevado.
Já o álcool perílico, que também é usado por Dona Antônia, foi implementado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro. O estudo foi feito pelo professor Clóvis Orlando, que cobra R$ 700 por consulta através do Skype para investir na pesquisa.

O produto já vem sendo utilizado nos Estados Unidos por administração via oral, mas acaba causando transtorno no metabolismo. Assim, o projeto da UFF tem a proposta de administrar a substância por inalação para acesso direto no sistema nervoso.

CampanhaO filho Daniel Braga faz parte de diversos grupos sobre Câncer Cerebral, no Facebook, Whatsapp, de todo Brasil. Com a interação nas redes sociais, conseguiu uma doação de uma caixa de suplemento do estado de Roraima. “As pessoas são muito unidas”, diz o estudante.

Vaquinha tem data prevista para terminar no dia 29 de julho, pois Dona Antonia ainda está bem debilitada. Ela parou de deglutir e Daniel precisou levá-la para a emergência, para colocar uma sonda na região do abdômen. Por conta dessa complicação, o jovem precisa comprar os alimentos especiais e cobra o valor do Estado.                                 

(Diário do Nordeste)

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