PIB do Ceará avança 2,08% no 2º tri; expectativa é de 1,34% em 2019


Após subir 2,08% no segundo trimestre deste ano, na comparação com igual período de 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará deve fechar o ano de 2019 com crescimento de 1,34%. Os resultados foram divulgados, ontem (19), pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e revelaram, de acordo com os analistas da entidade, que a atividade econômica cearense está voltando à normalidade após as instabilidades dos últimos anos.

“O crescimento para 2019 está ancorado não só pelo bom resultado do segundo trimestre, mas também pelas perspectivas para o segundo semestre, explicadas pela retomada do consumo das famílias. Essa retomada está sendo ajudada pela política macroeconômica dos saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). As famílias serão beneficiadas por uma fonte de renda extra que vai ajudar a reduzir o endividamento”, avalia Nicolino Trompieri, coordenador de Contas Regionais do Ipece. Segundo ele, a queda da taxa básica de juros, a Selic, vai ofertar consequentemente crédito mais barato para os consumidores.

“Você tem um consumo imediato com o FGTS, e a gente já vem observando isso há alguns meses. Também observamos que as vendas de eletrodomésticos e automóveis cresceram. Isso é um bom sinal. Tem ainda a retomada da construção civil. São bons resultados que vão ajudar um comportamento melhor para o segundo semestre”.

Indústria

Prejudicada pela crise econômica desde 2014, a indústria cearense cresceu 4,68% (no segundo trimestre), amparada pelos bons resultados da indústria de transformação (7,70%). O segmento obteve no último trimestre o melhor resultado desde 2013, segundo Witalo Paiva, analista de Políticas Públicas do Ipece.

“Depois de alguns trimestres de quedas seguidas, a atividade deu um salto interessante. É um crescimento robusto. E a gente credita isso a três setores especialmente: produção de bebidas, de calçados e a fabricação de produtos de metal, que vêm crescendo fortemente nos últimos meses. Isso mostra uma recuperação dessa atividade”, explica.

Outro segmento com resultado de destaque foi a construção civil (5,64%). De acordo com Paiva, a construção passou por um período difícil por causa da recessão, mas vem recuperando perdas neste ano. “O consumo de material de construção cresceu muito no Estado. A gente pode associar a retomada de obras e a finalização de projetos de investimentos. Isso é um sinal positivo e pode sinalizar uma certa melhora na expectativa”, afirma.

Serviços

Depois da indústria, o setor de serviços também apresentou resultados positivos no segundo trimestre, com uma alta de 1,64%. Para Alexsandre Cavalcante, analista de Políticas Públicas do Ipece, o comércio foi o principal responsável pelos resultados do setor. “O comércio cresceu quase três vezes o que tinha crescido no primeiro trimestre. Isso puxou bastante o desempenho da atividade de serviços na nossa economia”, aponta Cavalcante.

No comércio, os destaques foram as vendas de eletrodomésticos, veículos e material de construção. “De alguma forma, os empregos estão começando a ser gerados. Esse foi o efeito que a gente pôde observar no segundo trimestre. O desempenho dos serviços não se deve somente a ele. Se as outras atividades vão bem, contamina o setor de serviços. E está havendo um efeito generalizado de melhora na atividade econômica do Estado”, diz.

Segundo ele, é esperada a manutenção do crescimento no segmento de transportes, que teve alta de 2,60%. “Com o amadurecimento do Aeroporto de Fortaleza, tem o lado de crescimento no fluxo de cargas e passageiros. O setor de turismo teve um certo freio até junho, mas em julho tem uma expectativa de crescimento dessa atividade”.

Agropecuária

Com o pior resultado entre os setores que compõem o PIB do Ceará, a agropecuária cresceu 0,95% no segundo trimestre em relação a igual período de 2018. Conforme Ana Cristina Lima, assessora técnica responsável pelo setor agropecuário do Ipece, os resultados foram piores do que o esperado pelo Instituto. “Realmente, a gente achou que o número fosse melhor, mas você tem toda essa questão de distribuição das chuvas. As culturas de sequeiro são dependentes das chuvas e o setor deixou um pouco a desejar por causa dessa questão climática”.

No entanto, a pecuária segurou o resultado positivo. “A gente vem se destacando na produção de leite e de ovos. Temos uma política de incentivo que está compondo uma cadeia de forma bem consistente no Ceará”.

Fonte Diário do Nordeste

Comentários