Artesanato caririense compõe mostra que homenageia o Estado em museu no Rio de Janeiro


Escultura de Padre Cícero, confeccionada por Everaldo, é circundada por 24 tocheiros. FOTO: Ariel GomesVários Cearás dividem a mesma geografia. Na terra em que a poeira do sertão assenta, o mar também reluz, em bonito panorama azul.

No chão onde brota a inspiração para um verso de cordel, mãos fazem história por meio de trabalhos que resgatam as minúcias de ser daqui. É coisa que brota, nasce junto de nós.

Talvez isso explique o apreço de outras praças por nossa cultura e particularidades. Uma das mais recentes homenagens prestadas ao Estado pode ser conferida no Rio de Janeiro, com a exposição “Ceará, Terra que Ilumina”. Em cartaz no Museu Janete Costa de Arte Popular, na cidade de Niterói, a mostra segue até o dia 29 de março.

No total, seis setores atravessam aspectos caros à nossa cultura, focando especialmente na riqueza da religiosidade popular e no universo mágico das criações, entre o sagrado e o profano.

É apenas um recorte, contudo. A curadoria do cenógrafo e paisagista Jorge Mendes é abrangente, contemplando também aspectos como fé, festas, manifestações culturais, brincadeiras e oficinas.

“O acervo é de três colecionadores do Rio de Janeiro, além de peças enviadas pela Ceart (Central de Artesanato do Ceará)”, explica Jorge, que esteve na região do Cariri para conhecer os artistas.

Telas de Helaine Mendonça retratam Reisado e Banda Cabaçal. FOTO: Ariel GomesMultiplicidadeE são vários importantes representantes de nossa terra demonstrando o talento por lá. Em número de 40, eles traduzem toda a sensibilidade e expertise de quem divide o Estado-luz conosco. Com apoio do Governo do Ceará, a mostra reúne mais de 80 peças.

Espedito Seleiro (couro), Nino (escultura em madeira) e Maria de Lourdes Cândido (barro), por exemplo, fazem parte dessa lista.
A exposição começa com uma instalação, usando elementos como metal, couro, barro, madeira e algodão.

A intenção é contar a história da força da arte cearense por meio do trabalho e da fé.
Em outros setores, podem ser conferidas obras esculpidas por Gilberto e Mestre Celestino; peças de 12 artistas da nova geração de escultores de Juazeiro do Norte; e 14 esculturas de animais produzidas por Mestre Nino.

Igualmente, uma escultura de padre Cícero confeccionada por Everaldo, e uma “Sala dos Milagres”, com espelhos, cruzes e ex-votos, dão o tom da mostra, que conta ainda com Galeria de Arte, onde artistas cearenses poderão comercializar obras, Sala interativa e Projeto educativo.

Serviço
Exposição “Ceará, Terra que Ilumina”
Em cartaz até o dia 29 de março de 2020 no Museu Janete Costa de Arte Popular (Rua Presidente Domiciano, 178, Ingá, Niterói-RJ). Entrada franca. Horários de visitação: Terça a domingo, das 10h às 18h. Classificação indicativa: Livre. Contato: (21) 2705-3929                        

(Diário do Nordeste)

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