Pais de estudantes se mobilizam para ajudar venezuelanos em Fortaleza


Rede de solidariedade ajuda grupo de venezuelanos que vive em Fortaleza. FOTO: Camila LimaHá quatro dias, a lição na escola Ninho das Águias vem das ruas do Bairro Dias Macêdo e envolve solidariedade com um grupo de 20 venezuelanos, entre adultos e crianças, desembarcados em Fortaleza, no último mês de dezembro. Nesta semana, eles conseguiram alugar uma casa no local e agora recebem apoio da comunidade que se organiza no grupo de troca de mensagens para doar alimentos e roupas. 

A diretora Sheila Santos, de 43 anos, logo que soube dos novos vizinhos que precisam pedir dinheiro no entorno e pagam R$ 550 em uma casa, recebe sacolas com alimentos e roupas de pais e de outras pessoas da comunidade. Essa iniciativa surgiu quando ela percebeu a situação em que os venezuelanos estavam. 

“Tem bastante criança, algumas delas não tinham calçados, alguns estava com pouca roupa. Eu fui lá para pegar mais informações do que eles estavam necessitando e, em seguida, eu comuniquei aos pais dos meus alunos”, esclarece Sheila. 

Também foi doado um fogão de cozinha e um botijão de gás para o preparo dos alimentos que vão sendo entregues durante o dia. No que a compreensão do espanhol permite, Sheila mantém a comunicação com eles com a ajuda de um homem do grupo que entende melhor o português. “Ontem eu fui lá conversar com eles, no sábado até convidaram a gente para tomar um café juntos. Então, eles não precisam só de doação, de roupa e de alimento, mas eu creio que de um pouco de atenção também”, acrescenta. 

Na manhã em que a equipe do G1 esteve no local, algumas pessoas lavavam roupa e outras preparavam um tipo de massa. Eles contaram que há quatro dias conseguiram alugar o espaço onde vivem, mas não deram detalhes sobre como chegaram em Fortaleza desde que saíram de Boa Vista, capital de Roraima, onde ficaram por dois meses. Além de espanhol, eles utilizam um dialeto para se comunicar entre si e evitar muita exposição.

Pedido de ajuda
No início do dia, por volta de 5h, parte do grupo sai para arrecadar dinheiro entre os carros que passam pela BR 116. Um deles, acompanhado da filha, mostra uma placa explicando a situação em que vive. “Na Venezuela não tem dinheiro para comprar arroz, é muito difícil”, exemplifica o rapaz de 23 anos que preferiu não ser identificado. Sobre a viagem, ele não dá detalhes específicos, mas conta que passou por muitos lugares. “De barco, fomos para Belém. Depois de duas semanas fomos para o Maranhão. Eu tenho duas filhas e uma mulher, nós alugamos uma casa para dormir”, relata. 

As histórias de sofrimento despertaram a curiosidade de Sheila que passou a ler e buscar outras informações sobre o que acontece no país vizinho. “Eu comecei a me interessar agora, muita coisa eu evito como vídeos que são muito sofridos. Algumas coisas eu sabia, que eles estavam passando por uma crise na Venezuela, que algumas pessoas morriam de fome mesmo”, destaca. Ao perguntar sobre o assunto, ela notou lágrimas nos olhos de algumas pessoas. “Quando eu os conheci agora, que eu fiquei sabendo da situação, de imediato a intenção era agir porque quem tem fome tem pressa”, conclui. 

A Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS) informou, por meio de nota, acompanhar a situação dos imigrantes venezuelanos em Fortaleza e ter articulado serviços de saúde e regularização documental. “São feitas visitas periódicas para sensibilizar sobre direitos e deveres aqui no Brasil, especialmente no que se refere à proteção de crianças e adolescentes”, diz a pasta.                 

      (G1 CE)

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