Ceará pode estar em transição para aceleração descontrolada do coronavírus, alerta ministério


Um relatório do Ministério da Saúde divulgado nesta sexta-feira (3) aponta que o Ceará pode estar em fase de transição de fase epidêmica do novo coronavírus, passando de transmissão localizada para aceleração descontrolada da pandemia. 

De acordo com os dados do relatório, é preocupante a situação do Distrito Federal, São Paulo, Ceará, Rio de Janeiro e Amazonas, considerando o Coeficiente de Incidência nacional de 4,3 casos por 100.000 habitantes. No Ceará, a incidência é de 6,3 casos para cada 100 mil habitantes.

Conforme a Secretaria Estadual do Ceará (Sesa), são 745 casos confirmados no Ceará até este sábado (4). O estado registra também 23 mortes, o terceiro maior número de óbitos no país.

A Prefeitura de Fortaleza informou na última quinta-feira (2) que mais de 50 bairros já registraram a incidência da infecção viral. Até agora, os óbitos foram confirmados em 13 bairros, como Meireles, Cocó, Fátima e Conjunto Ceará. 

Poucos leitos
Outro fator preocupante em relação ao Ceará é o baixo número de leitos de UTI. Atualmente o Ceará conta com 0,88 leito para cada grupo de 10 mil habitantes. O índice é bem abaixo do Distrito Federal (3 leitos para cada 10 mil habitantes) e São Paulo (2,7 leitos para cada 10 mil habitantes). 

Para suprir essa baixo número, está sendo construído um hospital emergencial no Estádio Presidente Vargas. 

Também estão sendo ampliados os leitos com o uso do Hospital Leonardo da Vinci, que teve espaço exclusivo para pessoas com Covid-19, e no Hospital Instituto Doutor Frota, que terá inauguração antecipada de leitos de UTI.

Sinal de alerta 
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou na sexta-feira (3) que monitora a situação de Fortaleza. “Temos alguns números de cidades que têm muito fluxo internacional, como foi o caso no Ceará, de Fortaleza, em que os casos foram muito notificados”, pontuou. 

Conforme o ministro, isso ocorre porque os cinco estados têm os maiores coeficientes de incidência – números de casos em relação à população do Estado. Nesse quesito, o Ceará é o terceiro do Brasil, com 6,8 habitantes com Covid-19 a cada 100 mil habitantes. Acima só estão Distrito Federal (13,2) e São Paulo (8,7).

Estratégia de mitigação
O número maior de notificações no Ceará, segundo o secretário de Saúde Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto, se deve a uma questão estratégica. 

“Isso mostra uma estratégia do Estado do Ceará de tentar ampliar as notificações para que a gente possa entregar aos pesquisadores, epidemiologistas, médicos e profissionais de saúde a realidade mais adequada”, disse o gestor. 

De acordo com o secretário, o Ceará tem realizado, em média, 400 exames de investigação da presença do novo coronavírus no sangue de pacientes a cada dia.                                  (G1 CE)

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