Isolamento social pode afetar convivência familiar


O mundo todo vem buscando se ajustar a uma nova realidade e se adaptar ao isolamento social, medida recomendada por autoridades de saúde para tentar prevenir a propagação do novo coronavírus. Diante desse cenário, a rotina da maioria da população passou por mudanças e, assim como em diversas outras áreas da vida, a convivência familiar tornou-se um desafio para pessoas em muitos lares do país.

Segundo o professor do curso de Psicologia da Unileão Joel Lima, é fundamental compreender que há uma razão e uma origem por trás de todo conflito. “Onde está o mal? Seria mesmo a pandemia a verdadeira responsável por tudo isso ou a pandemia estaria sendo utilizada como bode expiatório de conflitos subjacentes?”, questiona o docente, sugerindo a reflexão em torno das perguntas e de suas respectivas respostas.

“É inegável que em tempos de crise, sendo essa de qualquer natureza, precisamos nos reinventar. Por outro lado, percebemos que situações extremas direcionam os sujeitos para aquilo que se tem de mais básico, o desejo de sobrevivência. Acredito que as famílias e casais mais atingidos por esse contexto já viviam relacionamentos frágeis e conflituosos, muitas vezes perpassados por atos de violência, que é potencializada pela aproximação forçada a qual atualmente nos submetemos”, acrescenta.

Para o prof. Joel, não é possível dar uma resposta única para a solução de todos os conflitos familiares, já que cada núcleo familiar tem as suas particularidades, como condição socioeconômica e religiosidade, por exemplo, que precisam ser consideradas perante o que é vivenciado atualmente.

Nesse sentido, é importante buscar um profissional da Psicologia em casos de conflitos, pois será possível compreender as diferenças de cada situação e receber auxílio no ajustamento das relações. Essa procura por atendimento de um profissional poderá ocorrer de forma on-line, durante o período de pandemia, ou presencial, assim que houver o afrouxamento nas regras de isolamento social.

“Muitas são as perguntas frente tais situações, por outro lado, percebemos muitas respostas superficiais que surgem na tentativa de sanar tais angústias. Por mais que tempos de crise exijam respostas mais rápidas dos profissionais em geral, precisamos tomar muito cuidado, pois esse imediatismo pode nos impedir de refletir acerca daquilo que mais se aproxima do núcleo de conflito”, ressalta.

Por fim, prof. Joel acredita que, passada a pandemia do novo coronavírus, algumas lições devem ser aprendidas por todos. “Espero que não sejamos os mesmos quando esse momento passar. Que possamos cada dia mais pensar no valor que imprimimos àquilo que temos e, principalmente, àquilo que desejamos”, conclui.

Foto: Reprodução

Fonte: Site Badalo

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