Ibovespa tem forte alta com possível vacina e expectativa de estímulos


A bolsa brasileira iniciou a semana em forte alta, com o mercado otimista com a possibilidade de a vacina desenvolvida pela companhia americana Moderna seja eficaz contra o coronavírus covid-19. De acordo com a empresa, os testes em humanos tiveram sucesso. O mercado também repercute a reabertura das economias e as últimas declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell. Às 14h13, o Ibovespa, principal índice de ações, subia 4,4% e marcava 80.971,99 pontos.

Segundo a Moderna, os testes foram feitos em 45 voluntários, mas novas avaliações ainda precisam ser feitas para confirmar a eficácia de sua possível vacina. “Sem a vacina, há o temor de que uma segunda onda de contaminação faça com que as quarentenas sejam retomadas e a gente fique parado por mais tempo. A vacina não vai sair amanhã. Mas, o mercado já reduz esse risco e faz um ajuste no preço”, disse Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos.

Para Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, a confirmação de uma vacina contra a doença poderia servir de gatilho para um movimento de recuperação intenso. “Estamos em um dos piores cenários históricos e fica cada vez maior conforme o lockdown se estende. Com a vacina, seria o fim da quarentena. Isso muda muita coisa em termos de perspectiva econômica. Daria para subir uns 30% até o final do ano”, afirmou.

A entrevista de Jerome Powell ao programa da CBS 60 Minutes, realizada no domingo, também agradou os investidores. Embora tenha dito que os impactos econômicos do coronavírus serão profundos, o presidente do Fed voltou a dizer que não está “sem munição”, sinalizando que novos estímulos podem sr feitos para atenuar os danos da pandemia. Powell também disse que espera uma recuperação da economia americana no segundo semestre.

Na semana passada, Powell chegou a derrubar o preço dos ativos ao dizer que a recuperação da economia seria lenta. “Ele tinha deixado o mercado bem assustado, mas acabou amenizando o tom”, comentou Franchini.

Apesar do cenário externo positivo, no foco das preocupações dos investidores locais estão a crise política brasileira, que ganhou novos contornos, após as declarações de Paulo Marinho ao jornal Folha de S. Paulo. Segundo o empresário, Flávio Bolsonaro, o filho do presidente Jair Bolsonaro, ficou sabendo da Operação Furna da Onça, que atingiu seu ex-assessor Fabrício Queiroz, antes de ser deflagrada.

“O mercado não precifica um impeachment porque, politicamente, está longe de acontecer. Mas cada vez que surgem notícias negativas sobre o governo e crises são instaladas, aumenta a dificuldade para aprovar as reformas”, disse Franchini.

Destaques
Na bolsa, as ações da Petrobras avançam mais de 8% e sustentam a acentuada valorização do Ibovespa, devido ao peso das empresas no índice. Os papéis da petrolífera tem como pano de fundo a apreciação do barril de petróleo. Com a expectativa de que o afrouxamento das quarentenas retome a demanda mundial, a commodity vem subindo de forma acentuada nos últimos dias. Nesta segunda, o petróleo brent, que serve de referência para a política de preços da Petrobras, sobe 7%. No mês, a alta acumulada é de 80%.

A ação da Vale, que tem o maior peso no índice, também faz sua parte, subindo cerca de 5%.

Por outro lado, os papéis de empresas com receitas dolarizadas figuram entre as maiores desvalorizações do Ibovespa, com a moeda americana operando em forte queda. Com grande parte da produção voltada à exportação, frigoríficos e empresas de papel e celulose amargam as maiores perdas. Minerva, Klabin e Suzano caem cerca de 6%. JBS e Marfrig caem 3,5%.

Já as companhias aéreas, que tem parte dos custos em dólar, fazem trajetória inversa na bolsa. As ações da Azul sobem 18,6% e lideram as altas do Ibovespa. Os papéis da Gol sobem 11%.

Foto: Jesada Wongsa/Getty Images

Fonte: Exame

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