Manual recomenda ‘enxaguatório bucal’ antes de consultas com dentistas durante pandemia


Profissionais da odontologia do Ceará elaboraram um manual de atendimento para cirurgiões-dentistas diante da disseminação do novo coronavírus no Estado, refletindo na conduta de consultórios e clínicas durante e após a pandemia. Entre as orientações, está a aplicação de enxaguatório bucal nos pacientes antes de qualquer procedimento. O manual teve aprovação do Conselho Regional de Odontologia do Ceará (CRO-CE) e da Associação Brasileira de Odontologia – Secção Ceará (ABO-CE).

“De todos os profissionais de saúde, aquele que está mais sujeito à contaminação com aerossóis (micropartículas no ar) é o dentista, isso é inegável”, explica Danilo Lopes, cirurgião-dentista e professor da Universidade de Fortaleza.

Os autores esclarecem que, durante a pandemia, o atendimento a pacientes deve ficar restrito aos casos de urgência e emergência “até a liberação das autoridades de saúde competentes”. Entre os casos permitidos, estão sangramentos sem controle, traumas faciais e dor severa por inflamação ou infecção. A triagem dos pacientes deve ser realizada por telefone.

O ideal é que o paciente vá sozinho ou com apenas um acompanhante, para evitar aglomerações. Ambos devem comparecer ao consultório de máscara. Após o período de isolamento, a recomendação é que a triagem continue, mesmo para consultas já marcadas.

Oxidação do vírus

O paciente deve utilizar óculos de proteção e gorro e babador descartáveis, além de usar enxaguatórios bucais antissépticos, antes do atendimento, durante um minuto.

“Geralmente, a gente usa a clorexidina para bochechar e fazer com que a placa bacteriana que está na boca seja desarranjada. Alguns autores falam que o Sars-Cov-2 é facilmente oxidado, então está sendo preconizado o uso do peróxido de hidrogênio diluído, que é a água oxigenada, antes do atendimento, para diminuir a possibilidade de contaminação ou pelo menos, a carga viral na boca”, detalha Danilo Lopes.

Outras recomendações do manual incluem:

A recepção, sala de espera e consultório devem ser higienizados com agentes de limpeza. Enfeites e decorações devem ser removidos;
Os atendimentos devem ser espaçados para evitar mais de um paciente por vez na sala de espera;
A equipe de trabalho deve automonitorar a temperatura duas vezes ao dia;
As mãos devem ser lavadas antes do contato com o paciente, antes do procedimento odontológico e no pós-atendimento;
Uso de sugadores de alta potência, que podem reduzir em mais de 90% a contaminação por gotículas.
A sala clínica também deve passar por limpeza com pano úmido com detergente ou sanitizante. “Recomenda-se não utilizar limpeza a seco como aspiradores de pó e vassouras, pois eles podem espalhar os vírus pelo ar e contaminar a equipe de trabalho posteriormente”, estabelece o documento.

Como forma de minimizar a contaminação pelos aerossóis, também é indicada a abertura das janelas do consultório (caso existam), nos intervalos dos atendimentos, “para que ocorra uma renovação do ar”. O manual está disponível no site do CRO-CE.

Situação no Estado

O Ceará alcançou 8.370 diagnósticos positivos e 663 óbitos em decorrência da Covid-19, até 14h17 deste domingo (3), conforme dados da plataforma IntegraSUS da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). Ainda segundo o balanço, 152 dos 184 municípios cearenses já têm confirmações da doença.

Foto: Arquivo

Fonte: Diário do Nordeste

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