Unidades de referência à Covid-19 em Fortaleza receberão 50 tablets para ‘visitas virtuais’ a pacientes


Hospitais geridos pelo governo do estado deverão receber, em até 15 dias, 50 tablets para que sejam realizadas “visitas virtuais” entre familiares e amigos a pacientes internados com Covid-19. Os equipamentos foram doados pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

O recurso já está sendo implementado em unidades de saúde de Fortaleza que tratam infectados pelo coronavírus. Devido ao alto poder de transmissibilidade da doença pandêmica, pessoas acamadas em hospitais de referência ou de retaguarda, não podem receber visitas sociais. A recomendação consta no Protocolo de Manejo Clínico do Coronavírus na Atenção Especializada, do Ministério da Saúde.

O Hospital Leonardo da Vinci, que atende exclusivamente infectados pelo Sars-CoV-2, já dispõe de três tablets. Pacientes de média complexidade, ou seja, que estão conscientes, com pouca falta de ar e conseguem se comunicar, têm a opção de falar com os parentes através de videochamadas. O contato pode ser feito diariamente.

“Tem aqueles que preferem não falar com a família para não deixá-los preocupados, mas a maioria opta por fazer a visita virtual. A gente percebe que eles ficam menos ansiosos, mais tranquilos e a saudade de casa diminui”, menciona a psicóloga Narjara Bezerra.

Já no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), a estratégia está em fase de implementação. Conforme a médica Ivna Cavalcante, alguns itens chegaram à unidade, mas as equipes estudam o uso nas enfermarias. A expectativa é de que outros nove tablets cheguem ao HGF ainda nesta semana. “Nós esperamos que isso leve um conforto maior para família e paciente, e aproxime mais essas distâncias”, pondera.

A taxa de letalidade da Covid-19 no Ceará chegou a 8,1% na tarde deste domingo (3), quando a plataforma IntegraSUS divulgou 677 mortes pela enfermidade. A atualização de dados da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) foi feita às 17h16. Foram confirmadas mais 39 mortes em relação a este sábado (2). O número de diagnósticos positivos para a doença no estado chega a 8.379.

Ruídos
Ao mesmo tempo, as unidades de saúde apontam que mantém o contato com os familiares de pacientes através de ligação telefônica. Após o enfermo dar entrada no hospital, os parentes são contactados para terem conhecimento sobre a dinâmica de internação e de tratamento. No entanto, nem sempre a comunicação é feita porque os dados do paciente no Sistema Integrado de Saúde está desatualizado.

“Às vezes, os telefones que estão no sistema são antigos, que já foram dessa pessoa algum dia, quando ela fez o cartão do SUS, por exemplo, mas não pertencem mais a ela, ou pode ser ainda erros de digitação dos números”, explica a assistente social Elizabete Almeida.

Se houver falha no procedimento, a equipe procura as unidades de origem ou à Central de Regulação do Município. “Geralmente, a gente entra em contato com a unidade de onde o paciente foi encaminhado para ver se eles receberam informações novas, mesmo que não tenham sido incluídas no sistema”, detalha.

Ela também indica que pode haver ruídos entre a própria família. Um parente recebe o telefonema do hospital sobre o quadro clínico do paciente, mas não repassa para os demais familiares. Isso faz com que muitos deles recorram à unidade em busca de informação, o que não é indicado.

“A gente sempre pede nos contatos que a família colabore conosco, compartilhando essas informações entre si, porque diante da demanda, a gente não tem condições de ligar para cada parente”, esclarece Elizabete.

Contato telefônico
De acordo com a médica Ianna Lacerda, os familiares são procurados em até três dias após a internação. “A gente consegue falar como está o caso do paciente, quanto ele precisa de oxigênio e de suporte para se manter vivo”, destaca.

A receptividade da ligação tem nível satisfatório. “80% dos casos ficam extremamente agradecidos, e mesmo os 20% que não receberam muito bem a notícia, até o final do contato eles ficam mais tranquilos e conscientes da situação”, diz.

Foto: Fátima Holanda/Divulgação

Fonte: G1

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