Ato de médicos homenageia vítimas de Covid-19 com cruzes na Praia de Iracema


Médicos cearenses realizaram na manhã deste sábado (13) uma manifestação na Praia de Iracema, em Fortaleza, em homenagens às vítimas da pandemia do novo coronavírus, de apoio aos profissionais da saúde e em repúdio às ações do Governo Federal, perante a crise na saúde pública do país.

O ato colocou cruzes com o nome dos estados e o número de vítimas da Covid-19, espalhadas pela areia da praia.

“Isso é o nosso manifesto, nosso repúdio contra o descaso, principalmente do Governo Federal, diante dessas mortes. A gente tem que ter empatia pelo outro, pelas famílias que estão sofrendo seus lutos, pela dificuldade que elas têm de conseguir esse atendimento [na saúde]”, declarou Dione Rola, médica pediátrica, presente no ato.

O presidente Jair Bolsonaro incentivou pessoas a entrar em hospitais públicos ou de campanha que tratam da covid-19 para filmar o interior das instalações a fim de constatar se há leitos desocupados. O pedido foi repudiado por diversas entidades.

A doença já matou quase 42 mil pessoas em todo o Brasil e mais de 800 mil já foram infectadas. No Ceará, 4,8 mil pessoas morreram com a Covid-19.

Manifestações em apoio às vítimas da Covid-19 já estão presentes em várias partes do país, como aconteceu na última semana, no Rio de Janeiro, segundo estado com mais vítimas do novo coronavírus no país.

“A gente colocou aqui o mapa do Brasil para mostrar que isso é de Norte a Sul. O vírus não poupou nenhuma região. Uns tiveram mais mortes, até por parte da aglomeração, por não ter respeitado também o distanciamento e outros já foram um pouco menos acometidos, mas não poupou nenhuma área do nosso Brasil”, explica Diola.
A manifestação também carrega o intuito de fazer a população refletir sobre o impacto da pandemia, não apenas naqueles que foram infectados pelo vírus ou que tiveram parentes doentes, mas o também tem um impacto em outras áreas da saúde, é o que explica a médica Elodie Hypolito, que faz parte da equipe de transplante de fígado do Hospital Universitário Walter Cantídio.

“Nós tivemos uma redução, em março, de 70% do número de transplantes realizados ao mês. Nós fazíamos em torno de 12 a 16 transplantes ao mês e no mês de março, nós só realizamos quatro procedimentos, por uma série de motivos. [Principalmente] porque os doadores precisam de UTI para sobreviverem até o momento da captação e as UTIs estavam todas ocupadas com pacientes Covid, e isso também já gerou mortes”, pontua a Elodie.

Combate a fake news
De acordo com a médica Liduina Rocha, o Coletivo Rebento, se constituiu exatamente em um momento que a notícias falsas, sobre a pandemia, estavam ganhando força.

“A gente quer o tempo inteiro fazer o contraponto as notícias falsas, as notícias que não tem sustentação na evidência científica, porque a gente compreende que é nossa obrigação, inclusive, discutir a partir das evidências”, destaca.

Para a médica Diola Rola o coletivo que se diz “Médicos em Defesa da Ética” tem como função fazer a população refletir e procurar se informar, por meios confiáveis, sobre a realidade da crise na saúde. “E o Coletivo Rebento é justamente nesse sentido, dos profissionais de saúde que estão dispostos a fazer esse movimento de repensar, de refletir junto com a sociedade no geral”, conclui.

Foto: Coletivo Rebento/Divulgação

Fonte: Portal G1

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