Ceará tem 1,65 médicos para cada mil habitantes no combate à Covid-19


Um levantamento realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) aponta que há 1,65 médicos para cada mil habitantes no Ceará com possibilidade de trabalhar no enfrentamento da pandemia ocasionada pelo novo coronavírus. A análise, porém, não contabiliza trabalhadores que possuem comorbidades, como diabetes e hipertensão, com idades inferiores a 60 anos.

Do total de médicos inscritos no Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec-CE), 12.424 deles têm idades abaixo dos 60 anos e estão em atividade atualmente. Assim, segundo o CFM, os profissionais estariam aptos a atuarem na emergência de saúde pública causada pela Covid-19.

O Ceará é o terceiro estado do Brasil com o maior número de infecções pelo novo coronavírus, ficando atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Até as 17h47 desta quarta-feira (10), a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), já havia contabilizado 71.947 casos confirmados da doença, dos quais 4.519 evoluíram para óbito.

O taxa de profissionais aptos a atuar contra o novo coronavírus é superior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade indica que o mínimo seja de um profissional da Medicina para cada mil habitantes. Desta forma, seria possível garantir atendimento a todos os cidadãos de uma localidade.

Problemas
Por outro lado, o índice cearense fica abaixo da nacional, que é de 2,5 médicos para mil habitantes. Na visão do presidente do Cremec-Ce, Helvécio Nunes, o número é suficiente. “O que falta é uma atração para o serviço público e uma política de Governo para fixação do médico através de uma relação trabalhista atraente, no sentido de dar segurança salarial e dar boas condições de trabalho”, diz, questionando a falta de distribuição dos profissionais em regiões longínquas.

De acordo com Helvécio Nunes, o histórico dos últimos anos da relação trabalhista dos profissionais da medicina com o setor público “tem sido a terceirização principalmente através de organizações sociais e a quarteirização, ou seja, uma coisa que já é terceirizada se terceiriza. Isso resulta em vínculos trabalhistas precários, atrasos de pagamento e, muitas vezes, até calotes”. Isso, segundo ele, inviabilizaria a atração do profissional por cidades mais distantes e com menor infraestrutura.

Segundo o 1º vice-presidente do CFM, Donizetti Giamberardino, “as regiões mais carentes, onde há menor distribuição de renda, com certeza, terão menos médicos e especialistas”.

Ainda na visão de Donizetti, “não há um efetivo estímulo de um política governamental para a fixação desses médicos nas regiões mais longínquas do nosso país”.

Nível nacional
A nível nacional, apenas sete estados – nenhum do Nordeste, e o Distrito Federal – apresentam distribuição de profissionais igual ou superior ao índice brasileiro. Ao todo, o País têm quase 422 mil médicos abaixo de 60 anos com possibilidade de atuar durante a pandemia.

A taxa brasileira de 2,5 médicos para cada mil habitantes é superior ao registro de países como Polônia (2,4), Japão (2,4) e México (2,4); e fica atrás de Estados Unidos (2,6), Canadá (2,8) e Reino Unido (2,9).

Novos médicos
Ainda de acordo com o levantamento realizado pelo CFM, só entre janeiro e maio de 2020, 476 novos médicos se inscreveram no braço da entidade no Ceará. No Brasil, foram 9.653 registros de profissionais recém-graduados neste ano, cuja maioria integrou-se aos conselhos em janeiro, segundo dados do CFM.

O presidente do Cremec-CE, Helvécio Nunes, explica que, anualmente, o Estado forma cerca de mil médicos nos oito cursos disponíveis na região. paciente.

Foto: Divulgação

Fonte: Portal G1

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