Comércio de velas dobra durante a pandemia em Juazeiro do Norte


Cidade com forte tradição religiosa, Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, viu a comercialização de velas disparar durante a pandemia da Covid-19. Com igrejas e templos fechados e o temor com a doença que já matou milhares de pessoas, o apego à religiosidade está mais evidente e, agora, as orações são feitas em casa e com maior frequência, o que acaba aumentando o consumo de velas. Empresários estimam crescimento de 50% nas vendas, número superior ao da Romaria de Nossa Senhora das Candeias. Juazeiro conta com quatro fábricas registradas, conforme o último levantamento da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação do Município.

O empresário Francisco de Assis Freitas chega a produzir e vender 40 toneladas de velas por mês, mas durante a pandemia, saltou para 80 toneladas “ou mais”, conforme estima. Funcionando por delivery, a demanda está alta. A última vez que viu “uma procura tão grande e repentina” foi em dezembro de 1999, na virada do milênio, quando as pessoas acharam que aconteceria o “fim do mundo”. “Foi o ano que mais vendi vela em minha vida”, relembra.

Outro empresário do ramo, Vanderley Firmo, que retomou a produção na sua fábrica há poucos dias, também relata o mesmo aumento. “É tanto que não estamos contemplando todo mundo”, pontua. Segundo ele, “muitas pessoas em casa têm dedicado mais tempo às orações e assim procuram mais velas”, completa.

Francisco também deposita nas “lives religiosas e missas virtuais” o motivo do representativo aumento. Com tanta demanda, a parafina, matéria-prima da vela, teve seu estoque esgotado em Salvador (BA), principal exportador para o Ceará. Agora, o abastecimento está sendo feito do Rio de Janeiro. Com a maior distância, o preço aumentou. “Mesmo assim as vendas não diminuíram, estão comprando mesmo estando mais caro”, disse De Assis.

Esta procura se reflete nos supermercados e mercantis na terra do Padre Cícero. Encontrar o produto não tem sido uma missão fácil entre os consumidores. “Durante a pandemia estamos vendemos muita vela”, pontuou o empresário Cícero Belém.

Consequência da Fé

O bispo dom Gilberto Pastana, da Diocese de Crato, aponta que a “luz” tem um forte significado na fé cristã e por isso as vendas subiram tanto durante a pandemia. “Esta luz é o Senhor, essa luz é Jesus. O sol da vida, que nos indica o caminho”, define. Muito ligada às romarias, como a de Candeias, onde se protagoniza uma das mais belas procissões de Juazeiro do Norte, a vela remete à fé, explica o religioso. “Ninguém caminha nas trevas, na escuridão”, completa o sacerdote.

Desde o início do isolamento social, a contadora Ana Paula Tavares acende diariamente uma vela na calçada de sua casa e encoraja suas vizinhas a fazerem o mesmo.

“Quando alguém passar, vai saber que naquela casa vai estar alguém em oração”, acredita. “Diante dessa doença terrível, que nos causa terror e pânico, tenho encontrado no Nosso Senhor Jesus Cristo o conforto para lidar com essa situação”, explica. Para ela, a vela simboliza a esperança de dias melhores.

FOTO: ANTONIO RODRIGUES

Fonte: Diário do Nordeste

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