Vacina, pesquisa e R$ 170 milhões: os esforços da Rede D’Or contra a covid


A Rede D’Or, maior rede privada de hospitais do país, colocou até agora 170 milhões de reais em iniciativas focadas no combate à pandemia do novo coronavírus. A iniciativa mais recente envolve o estudo com a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford no Reino Unido, e que será testada no Brasil com 2.000 voluntários.

A Rede D’Or irá investir 5 milhões de reais na realização do estudo. O Instituto D’Or, mantido pela companhia, será responsável pela realização do estudo no Rio de Janeiro, com 1.000 voluntários. “Decidimos que vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para ajudar o país a sair dessa situação. Como uma empresa de saúde, temos essa responsabilidade”, afirma Leandro Tavares, vice-presidente médico da Rede D’Or.

Os voluntários que receberem a vacina serão acompanhados durante um ano. Boa parte dos 5 milhões investidos serão usados na realização de exames e no monitoramento dos participantes. Os outros 1.000 voluntários serão testados em São Paulo, pela Unifesp. A Rede D’Or estuda ampliar o estudo com a vacina para outros estados, com investimento adicional da ordem de 10 milhões de reais, passando de 2.000 para 5.000 voluntários no país.

” É uma honra participar de um estudo de uma possível vacina para essa doença. Não só pela importância científica em si, mas por ajudar a trazer uma esperança para os brasileiros”, afirma Fernanda Tovar-Moll, presidente do Instituto D´Or de Pesquisa e Ensino.

Linhas de pesquisa
Além do estudo com a vacina, o Instituto D’Or abriu outras dez linhas de pesquisa relacionadas à covid-19, com investimento de 30 milhões de reais da Rede D’Or. “Montamos um portfólio de esforços do ID’Or contra a covid-19. Nos últimos meses, praticamente todos os nossos pesquisadores e nossos recursos estão voltados ao combate da pandemia”, afirma Tovar-Moll.

Dentre as linhas de pesquisa estão modelos matemáticos para mapear e conter a evolução da epidemia, estudos da biologia do vírus, compreensão da evolução da doença nas diferentes populações e avaliação da eficácia de medicamentos para o tratamento da doença. Inseridos nessas divisões, estão os projetos específicos, descritos abaixo.

A partir da análise sistemática dos dados coletados de todos os pacientes em seguimento, o estudo permitirá descrever as características clínicas da doença COVID-19 em nosso meio e, a partir destas características, estimar a evolução da doença (fatores prognósticos) e sua resposta aos diferentes tratamentos (fatores preditivos).

O contato direto com os 50 hospitais da Rede D’Or ajuda no desenvolvimento das pesquisas. Um dos principais projetos envolve um registro unificado dos pacientes com covid-19 nos hospitais com o objetivo de descrever as características clínicas da doença, estimar sua evolução e avaliar a resposta dos pacientes aos diferentes tratamentos. De largada, o estudo conta com a participação de todos os 50 hospitais da Rede D’Or, além de dez instituições públicas. Até agora, a base de dados tem 2.000 pacientes incluídos.

Os resultados das pesquisas, porém, ainda não podem ser usados no atendimento a pacientes com covid-19 nos hospitais da companhia, uma vez que os estudos não foram concluídos. “A atividade de pesquisa e e de assistência médica têm ritos distintos. As pesquisas que estão em custo não geram resultado para uso imediato, elas acumulam conhecimento para a sociedade”, afirma Tavares.

Uma pesquisa com participação do Instituto D’Or publicada recentemente na revista The Scientist, exemplifica bem a diferença entre o tempo do atendimento e o tempo do estudo científico. A pesquisa aponta que a qualidade da água pode ter sido uma das razões para o surto de casos de microcefalia associados à epidemia de zika no Nordeste. A epidemia ocorreu entre 2015 e 2016. “A zika não é mais notícia, mas ela ainda é uma doença. Continuamos acompanhando as crianças que tiveram problemas e estudando para responder as perguntas que ficaram em aberto”, diz Tovar-Moll.

A companhia investiu até agora outros 135 milhões de reais em ações de combate ao novo coronavírus, com apoio ao poder público, criação de leitos permanentes ou provisórios e entrega de equipamentos em sete estados. Dentre as principais ações estão a construção e operação de dois hospitais de campanha no Rio de Janeiro e a abertura de novos leitos em hospitais já existentes, em parceria com outras instituições privadas.

Lotação dos hospitais
Enquanto investe em pesquisa, a Rede D’Or continua com o desafio de garantir atendimento aos pacientes com covid-19 e outras doenças em seus hospitais. Segundo Tavares, a lotação das UTIs dos hospitais da rede, que chegou perto de 100% em abril, começou a diminuir nas últimas semanas. Hoje a taxa de ocupação das UTIs da rede está em cerca de 80%.

A redução dessa ocupação é mais visível no Rio de Janeiro. Lá, a Rede Dor opera dois hospitais de campanha que atendem pacientes do sistema público e que, segundo Tavares, tiveram redução na fila de espera por leito de UTI.

Em São Paulo, segundo Tavares, a taxa de ocupação dos hospitais da rede cai de forma mais lenta. Os hospitais no Norte e no Nordeste do país ainda estão em situação mais crítica. “Essa redução que verificamos mostra o que está no retrovisor. Se isso vai se sustentar, só o futuro dirá.”

O vice-presidente médico alerta para a importância da atenção também aos pacientes com outros problemas de saúde. “Quem não tem covid ficou com medo de buscar assistência, e começamos a notar aumento de casos graves em outras doenças. Esse é o momento que estamos vivendo um esfriamento de casos de covid e maior busca de casos graves de outras doenças”, afirma.

Foto: Germano Lüders/Exame

Fonte: Exame

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