Sem eventos e ocupação hoteleira em baixa, volume dos serviços turísticos cai 23% no Ceará em julho


Sem a tradicional movimentação nas férias de julho, o volume de atividades turísticas no Ceará registrou uma queda de 23%. Este resultado apresentou a maior retração do País no mês.

Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), nesta sexta-feira (11).

O cenário para o turismo local tem registrado duras perdas desde o início deste ano, tendo uma piora mais acentuada com a pandemia do coronavírus, que interrompeu todas as atividades do setor, desde a realização de eventos até a ocupação hoteleira.

A   presidente do Sindicato das Empresas Organizadoras de Eventos e Afins no Estado do Ceará (Sindieventos-CE), Circe Jane Teles, aponta que devido a pandemia, 2020 foi um “ano nulo” para o setor. 

 “Desde o início da pandemia que todos os serviços turísticos pararam e eventos também, isso impactou enormemente. Nós tivemos uma queda muito forte, por não houve ocupação hoteleira, eventos, atividades na área, não teve novos postos de trabalho e nem visitantes. O máximo que conseguimos foram alguns visitantes da própria região, ou seja, este foi um ano nulo para as atividades turísticas do Estado”,  avalia. 

Ocupação hoteleira

Para a presidente da Visite Ceará Ivana Bezerra, os eventos que deixaram de acontecer neste período no Estado ocasionaram um “impacto gigante”. 

“Todo e qualquer evento que deixou de acontecer teve um impacto gigante na nossa cidade. Nessa época, nossa ocupação caiu drasticamente, pois os bares e restaurantes estavam todos fechados, então é um impacto muito grande”, comenta.

 Ela cita que em eventos como o Fortal, a rede hoteleira chega a ter uma ocupação em torno de 90%, podendo registrar um resultado ainda maior.  A presidente da Visite Ceará relata que sem os eventos em julho deste ano,  o setor hoteleiro registrou uma ocupação em torno de 20%, um resultado inferior ao visto em 2019, quando no mesmo período a ocupação girava em torno de 75%.

Confira o volume de atividades mês a mês:

• Janeiro: -0,5%

• Fevereiro:-3,2%

• Março: -30,6%

• Abril: -52,9%

• Maio: -6,5%

• Junho: 16,6%

• Julho: -23%

Mesmo com o tombo, o Estado teve uma receita nominal positiva de 9,8%. Já no acumulado ao ano e nos últimos 12 meses, o índice apresentou variações negativas de 41,4% e 22,8%, respectivamente.

Serviços

De acordo com a pesquisa, o Ceará apresentou o menor resultado do País no volume de serviços gerais, com um recuo de 2,5% em julho ante junho, quando o indicador apontava um crescimento de 5,7%. 

“A variação de julho pode ser assim explicada: o setor de serviços devido à heterogeneidade ou ao peso de 70% que representa na economia, tem apresentado uma recuperação mais lenta, comparativamente à indústria e ao comércio varejista, sobretudo nas atividades que envolvem atendimento presencial”, pontua o IBGE em nota. 

A pesquisa também revela que o mês de julho sofreu maior impacto pela queda de 54,3% nos serviços prestados à família, seguido do recuo de 43,8% nos serviços de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio e 6,1% nos serviços profissionais, administrativos e complementares.

Com o resultado, o Estado acumula recuo de 15,2% no ano e 7,6% nos últimos 12 meses. 

Foto: Divulgação

Fonte: Diário do Nordeste

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