Astrônomos aguardam dados da Nasa para determinar percurso do asteroide que caiu no Maciço de Baturité


Especialistas da Brazilian Meteor Observation Network (Bramon – Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros) se reúnem nesta terça-feira, 13, para definir estratégias e dar continuidade aos trabalhos de localização do bólido que caiu no Maciço de Baturité no último sábado, 10.

Depois do trabalho em campo, os astrônomos aguardam dados de infrassom do Center for Near-Earth Object Studies (Cneos) da National Aeronautics and Space Administration (Nasa), que podem ajudar a determinar o percurso do bólido.

No domingo, 11, a equipe da Bramon foi até o Maciço de Baturité para realizar trabalho em campo, por meio de entrevistas com testemunhas e moradores da região. No entanto, segundo o astrônomo Lauriston Trindade, como foram coletadas algumas informações conflitantes sobre o evento, os trabalhos de localização da área onde fragmentos do asteroide caíram se tornou mais difícil.

“A gente acredita que tem muito material em solo, mas a dificuldade dos testemunhos está sendo muito grande”, conta Lauriston.

“Temos só um vídeo, um trechinho em que podemos ver o meteoro. E agora estamos procurando vídeos em Sobral, Quixadá e localidades que possam ter registrado pelo menos um trechinho [do evento]”. Conforme Lauriston, se a equipe conseguir mais um vídeo, é possível “matar a charada” e realizar o cálculo do percurso do meteoro.

Ele afirma, contudo, que a maior chance para identificar a direção do objeto é a partir de dados de infrassom coletados pelo Center for Near-Earth Object Studies (em português, Centro para Estudos de Objetos Próximos à Terra).

Ainda no fim de semana, a Bramon enviou e-mail solicitando esses dados para a Nasa, que irão contribuir para a determinação do local onde os fragmentos teriam caído. Dessa forma, não haverá necessidade de relatos ou imagens para descobrir o trajeto do bólido.

A equipe também entrou em contato com especialistas do Paraguai e Argentina para obter dados de infrassom coletados por esses países. Contudo, não houve resposta positiva. “Os microfones não captaram [o som]. Os especialistas disseram que pode ser um problema associado às cataratas do Iguaçu, porque as cachoeiras geram um ruído de fundo nos microfones e dificultam [a detecção]”, explica Lauriston.

Ele acrescenta que a distância da ocorrência para o Paraguai também é outro fator que inviabiliza essa captação do infrassom. Por isso, a Bramon está na expectativa de que os microfones espalhados pela Nasa tenham captado as ondas sonoras, que não são percebidas pelos ouvidos humanos.

“Quando um meteoro grande ocorre, ele emite infrassom. Os humanos não conseguem escutar, mas certos animais, como elefantes, por exemplo, escutam”, esclarece o astrônomo. “E esses microfones que estão espalhados pelo mundo são capazes de captar e dar trajetória da passagem do objeto”.

A Bramon acredita que exista fragmentos do asteroide entre a região de Amanari, Itacima, Itapebussu, e na região que fica entre a divisa de Caucaia e Maranguape.

Uma cratera localizada no distrito de Guaiuba também foi apontada como um possível indicativo da passagem do meteorito. A Bramon, entretanto, não confirma a relação da cratera como um provável local de queda do objeto. 

Como ajudar
 
A população pode contribuir com o trabalho da equipe do Brazilian Meteor Observation Network, enviando imagens, vídeos e relatos no site do observatório.

Foto: Reprodução/Clima ao Vivo

Fonte: O Povo Online

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