Fortaleza concentra quase metade dos casos de meningite registrados no Ceará em 2020


Quase a metade das ocorrências de meningite registradas em 2020 tiveram origem em Fortaleza. A capital, com 75 notificações da doença, concentra 48% dos 154 casos no Estado até o último dia 5 de setembro. As informações são da Planilha de Notificação Semanal de doenças de notificação compulsória (PNS) mais recente. O documento é elaborado pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).
A capital lidera também o número de óbitos. Das 16 mortes deste ano no estado, sete aconteceram em Fortaleza.

Quando comparado ao restante os municípios, o avanço da doença na capital também destoa. A cidade de Canindé, em segundo lugar no número de ocorrências da síndrome no estado, registrou apenas cinco casos de meningite durante o período.

A infectologista Mônica Façanha, professora da Clínica de Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Ceará (UFC), diz que o fato de a capital ser a cidade mais populosa do estado justifica o número de casos. “A meningite é transmitida por gotículas no ar, então, quanto maior a população maior o número de infectados”, aponta. “Além disso, nós temos um sistema de vigilância melhor quando comparado aos outros municípios”.

Acúmulo

É a capital a responsável por puxar a Área Descentralizada de Saúde (ADS) de Fortaleza para a liderança em casos de meningite. A região soma o maior número de ocorrências das 22 áreas administrativas que compõem o estado. A segunda ADS com mais casos confirmados, a de Caucaia, tem 13 casos da infecção e um óbito. Essas ocorrências correspondem aos municípios de Apuiarés, Caucaia, General Sampaio, Itapajé, Paracuru, Paraipaba, Pentecoste, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu, Tejuçuoca.

A Área também está à frente em número de óbitos: durante o intervalo determinado pela Sesa, foram 79 diagnósticos e 10 mortes decorrentes de meningite registrados no local, oito por doença meningocócica, versão mais grave da infecção, e duas por outros tipos de meningite.

Em relação à ADS de Fortaleza, os casos fora da Capital aconteceram nos municípios de Aquiraz e Itaitinga, ambos com dois casos confirmados da infecção. Além de Fortaleza, Aquiraz foi a única cidade da área a registrar óbito: um residente perdeu a vida para doença.

Redução sobre 2019

Contudo, em comparação ao acumulado em intervalo similar no ano passado, o número de casos na ADS Fortaleza reduziu: Em 2019, a área contabilizou 194 casos – mais que o dobro dos 79 registros de 2020. O número de mortes também reduziu, caindo de 20 no ano passado para 10 neste ano.

Assim como a ADS Fortaleza, em relação ao ano passado, o Ceará também teve baixa nos registros de meningite. De acordo com informações cedidas pela Sesa, em igual período de 2019, o Ceará contabilizou 372 ocorrências de meningite, bem maior do que o acumulado em 2020, com 79 diagnósticos. A queda cearense é de aproximadamente 58%.

A quantidade de fatalidades em decorrências da doença também caiu. Foram 40 mortes notificadas no intervalo anterior, contra 16 observadas neste ano, uma redução de 60%.
O isolamento social pode estar por trás da queda, mas não é o único fator para a redução em 2020. “A meningite, principalmente a doença meningocócica, é cíclica. É normal que aconteçam essas elevações e reduções. Além disso temos o resultado da vacinação nos anos anteriores, o que pode também diminuir o número de casos”, aponta Mônica Façanha.

Vacinação

Diversos agentes infecciosos, como bactérias e vírus, podem ocasionar uma meningite. A prevenção acontece a partir de uma série de vacinas, principalmente as ocorrências com causas bacterianas: BCG, Pentavalente, Pneumocócica 10 valente e Meningocócica C conjugada.
Estar em dia com o calendário vacinal é fundamental para o controle da doença nos próximos anos, projeta Façanha.

“Em 2020, ficamos abaixo do esperado na vacinação infantil. Isso indica que podemos ter um grupo de pessoas sem imunidade no futuro. As crianças precisam ser vacinadas logo. Elas ainda não têm os anticorpos como os adultos, que se adquirem à medida que vai ficando mais velho”, alerta.

Segundo as informações mais recentes do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde, até o último dia 7, metade das crianças brasileiras não recebeu todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Imunização em 2020. No caso da imunização infantil, a cobertura estaria em 51,6%. O ideal é que ela fique entre 90% e 95% para garantir proteção contra doenças como sarampo (que tem índice ideal de 95%), coqueluche, meningite e poliomielite.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Fonte: Portal G1 CE

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