Ceará recebe novo projeto de geração distribuída


Com o avanço do mercado de energia, o Estado chegou a um patamar em que apenas seis cidades não contam com usinas de geração distribuída. Atualmente, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Ceará tem 8.332 unidades geradoras dessa modalidade, com 144 megawatts (MW) de potência instalada, sendo o 11º estado brasileiro em número de unidades geradoras e o 9º em potência. De acordo com a Aneel, 177 municípios cearenses contam os geradores em pequenas unidades comerciais ou residências. 

E, em novembro, a Eneva é mais uma empresa a investir neste segmento do mercado local, ao iniciar a operação de um projeto-piloto de energia fotovoltaica em Mombaça, voltado para consumidores com conta acima de R$ 2 mil por mês.

Segundo a empresa, o sistema, que funcionará no modelo de geração distribuída a base de energia solar fotovoltaica, permitirá uma economia de cerca de 10% em comparação com a energia vendida pelas concessionárias.

O investimento no projeto foi de cerca de R$ 5 milhões.
No Ceará, a maioria das unidades de geração distribuída funcionam à base de energia solar (8.332 geradores).

O restante (26) é operado com tecnologia para energia eólica. Com esses números, o Estado ocupa o segundo lugar do ranking do número de geradores na região Nordeste, ficando atrás apenas da Bahia (12.033). Contudo, o Ceará lidera a Região em potência, já que a Bahia acumula um total de 131 MW, segundo a Aneel. 

Sobre a nova planta da Eneva, a potência instalada inicial deverá ser de 1 MW, atendendo 50 clientes, dos segmentos comerciais, industriais e residenciais. A expectativa é de que no futuro próximo, sejam adicionados outros 4 MW, atendendo mais 200 usuários. 

“A planta já está apta a gerar, estamos só esperando fechar o consórcio para iniciar a operação, que está prevista para o dia 15 de novembro”, diz Bruno Falcão, responsável pelo projeto e gerente de Geração Distribuída da Eneva. 

A planta está instalada em uma área de 2 hectares e a ampliação da capacidade de geração será construída em terrenos adjacentes. “Os clientes são pequenas empresas, principalmente comerciais. Temos bares, restaurantes, lojas, condomínios residenciais, predominantemente de Fortaleza”, diz Falcão.

Regras

Uma das vantagens do modelo de geração distribuída é que além de possibilitar a geração de energia no próprio local de consumo, é possível optar pelo “autoconsumo remoto”, por meio do qual o consumidor recebe créditos pela sua geração, mesmo que a geração se dê em outro local. Esses créditos poderão ser utilizados para diminuir o valor da fatura de energia, desde que esteja na área de atendimento de uma mesma distribuidora. Nessa configuração, a energia gerada pode ser repartida entre os condôminos em porcentagens definidas pelos próprios consumidores.

Apesar dos benefícios proporcionados pelo sistema de geração distribuída, o consultor em energia João Mamede Filho ressalta que a viabilidade desse modelo no longo prazo dependerá, sobretudo, da legislação voltada para o setor. “Já temos outros projetos isolados no País com essa mesma proposta, utilizando as regras da geração distribuída para fornecer energia a um menor custo.

O preço, sem dúvidas é mais vantajoso para o comprador de energia e é o principal fator para a proliferação desse tipo de sistema. Mas há discussões sobre o pagamento pelo uso da rede (de energia elétrica por parte dos usuários da geração distribuída), se continua isento ou não”, diz o consultor.

Modelo de créditos
Mensalmente, os créditos acumulados serão abatidos diretamente da conta de energia dos estabelecimentos, emitida pela distribuidora, no caso do Ceará, a Enel.

O empreendedor então realizará pagamentos mensais ao consórcio considerando o desconto de 10%. Este pagamento acontecerá apenas depois que o consumidor identificar os créditos da energia fotovoltaica em sua conta.
Caso a energia injetada na rede pelo sistema seja superior à consumida, cria-se um “crédito de energia” que não pode ser revertido em dinheiro, mas pode ser utilizado para abater o consumo da unidade consumidora nos meses subsequentes ou em outras unidades de mesma titularidade em até 60 meses. 

Empreendimento
Com três mil e seiscentas placas solares, a usina da Eneva entrou em operação em agosto com o objetivo de ser uma unidade compartilhada e voltada às contas de Baixa Tensão. A usina foi construída e será gerenciada pela Eneva para os empreendedores do Ceará.

“Eles não terão que fazer qualquer investimento e não há necessidade de fidelidade ao projeto. É uma forma sustentável de economizar sem risco ao negócio”, diz Bruno Falcão. 
A Eneva já opera em Tauá a primeira usina solar em escala comercial da América Latina, de 1 MW, que atualmente está enquadrada no mercado livre de energia. “Expansões estão sendo planejadas de acordo com os aprendizados dessa experiência”, diz Falcão.

Adesão

A contratação do serviço de distribuição pela nova planta da Eneva pode ser feita pelo site do projeto. Basta preencher o formulário e aguardar a confirmação. O interessado adere a um consórcio de geração distribuída com a Eneva, por meio da subsidiária da empresa Tauá Energia.

Foto: Divulgação

Fonte: Diário do Nordeste

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