Educador físico que relatou em livro os dias de internação por Covid-19 é vacinado em Fortaleza


O educador físico cearense que passou vinte dias internado em leitos de tratamento contra a Covid-19, foi vacinado contra a doença nesta quinta-feira (17), no estacionamento do North Shopping Jóquei. Leonardo Gurgel Pinto Dias, 46 anos, relatou seus dias de tratamento em um hospital de Fortaleza e escreveu o livro Leito 61 – Um Relato dos Meus 20 dias de Internação, contando desde o adeus aos colegas de quarto, às conquistas diárias na lenta recuperação.

Em entrevista ao G1, Leonardo falou sobre o sentimento de finalmente ter sido imunizado contra o coronavírus, mas lamentou pelos amigos de quarto que não sobreviveram a tempo de serem imunizados. “Sentimento de alívio e um pouco de tristeza pelos amigos que não sobreviveram. Agora estou incentivando as pessoas a se vacinarem”, conta o educador físico.

A internação

Leonardo Gurgel procurou uma unidade de saúde após começar a sentir alguns sintomas da Covid-19. Com a saturação baixa, ele escapou de ser intubado devido ao uso do capacete Elmo, equipamento de respiração artificial criado no Ceará, viu quatro colegas de quarto morrerem de Covid-19, sentiu medo e decidiu contar a experiência vivida em um livro.

“Meu primeiro momento de ansiedade, quando entrei na enfermaria, foi entender que eu teria que confiar muito na equipe médica. Vi quatro pessoas morrerem na minha frente, do meu lado. Vi serem intubadas, fazendo hemodiálise, vi morrerem, vi tudo. Vi a saída dos corpos, então, os próprios enfermeiros diziam para eu não olhar, mas de certa forma eu precisava ver”, relatou.

Com sintomas da doença, o educador físico fez um teste em 1º de março e se internou dois dias depois no Hospital São José, no Bairro Parquelândia. Com a saturação abaixo de 72, Leonardo foi internado na mesma unidade dois dias depois do exame. Devido à superlotação na unidade de saúde, ele passou dois dias na emergência do hospital. Cerca de 48 horas depois, o educador físico conseguiu um leito na enfermaria.

A ideia de escrever o livro relatando a experiência vivida no hospital surgiu quando ele se viu sem ter o que fazer, sem ter com quem conversar, quando chegava a noite, e da necessidade superar os momentos de angústia vividos no hospital. Leonardo conta que, como não podia usar celular no local, para passar o tempo, lia e relia o rótulo de uma garrafa de água.
Ainda internado no hospital, Leonardo também relata, no livro, momentos de medo, tensão e ansiedade.

Elmo e alta

O educador físico também fala no livro que sentiu medo de não reagir ao tratamento e que se sentiu angustiado por não ter notícias da família. Para a alegria dele e dos familiares, que aguardavam pelo retorno ao lar, Leonardo reagiu bem ao tratamento, melhorou e, depois de 20 dias hospitalizado, recebeu a notícia que mais esperava: estava de alta. A equipe de profissionais cantou uma canção cristã em comemoração pela alta. Leonardo se emocionou e agradeceu aos profissionais que o ajudaram no tratamento.

“Eu senti um alívio em relação à alta porque estava muito ansioso para sair. Eu coloco no livro que no primeiro dia, que eu me internei na enfermaria, coloquei na minha cabeça: ‘não vou perguntar quantos dias eu vou ficar aqui. Porque eu não queria ficar nem um dia, e acabei ficando vinte”, disse.

A fisioterapeuta Ivone Lima, a quem Leonardo dedicou um capítulo, contou, em entrevista ao G1, que o caso do educador físico chamava muita atenção e que ele tinha tudo para ter sido intubado. Ela contou, ainda, que um médico do hospital que o visitou pediu para que ele fosse intubado, mas ela insistiu em apenas mais um dia de uso do Elmo. E deu certo. No dia seguinte, Leonardo apresentou melhora e escapou da intubação.

“Toda a equipe se engajou no tratamento dele. A gente também trabalha a parte emocional. Passamos confiança e ele passou a acreditar que poderia melhorar. Aceitou o Elmo e conseguimos desmamar o oxigênio […] ele foi um paciente que marcou história na unidade pelo fato de ter sido um paciente muito grave, mas ele viu que a equipe era toda humana. Tinha 99% de chance de ser intubado, mas resistiu. Ele olhava com um olhar de pedido de socorro, para a gente cuidar dele”, conta a fisioterapeuta.

Em casa, ao lado da mulher, feliz e agradecido por ter sobrevivido à doença que matou quase 500 mil brasileiros, Leonardo descobriu um novo sonho de ser escritor, escrever novos livros e abrir uma livraria.

Foto: Arquivo pessoal

Fonte: Portal G1 CE

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