Iniciativas no Crajubar garantem absorventes gratuitos em escolas


As câmaras municipais de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha se mobilizam contra a pobreza menstrual vivenciada por meninas e mulheres, caracterizada pela falta de acesso a recursos, infraestrutura e conhecimento para que tenham plena capacidade de cuidar da sua menstruação. No Brasil, 13 anos é a média de idade para que ocorra a menarca (primeiro fluxo menstrual).

A situação, com condições desfavoráveis tanto na escola quanto em casa, é lembrada, sobretudo, no Dia da Dignidade Menstrual, em 28 de maio. Segundo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), “713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em seu domicílio e mais de quatro milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas”.

Diante deste contexto, a vereadora Efigênia Garcia (PSDB, de Barbalha) e os vereadores Antônio Marcos Januário (Marquim do Povão, MDB, de Crato) e William Bazílio (Bilinha, PMN, de Juazeiro do Norte) apresentaram projetos de indicação para reduzir a problemática.

As iniciativas estão voltadas para a disponibilização gratuita de absorvente e outros itens de higiene em escolas e também para meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade social. A proposta foi acatada pelo prefeito de Crato, Zé Aílton Brasil (PT), e já se tornou lei. Em Barbalha, foi aprovada pela Câmara e aguarda ser sanção do prefeito Guilherme Saraiva (PDT). Já em Juazeiro, a iniciativa está em fase de análise pelas comissões da Câmara Municipal.

Efigênia Garcia detalha ter proposto a ideia por três motivos: “além de saber dessa necessidade quanto mulher que veio de família pobre, por conhecer muitas situações de vulnerabilidade, porque fui secretária de Assistência Social, e sempre tivemos essa percepção”, frisa Efigênia Garcia, que já foi professora.

“Sabemos que é uma realidade, que isso acontece nas escolas e esse assunto sempre é tratado como um tabu. Infelizmente, não está sendo discutido e, por isso, faltam políticas públicas. É importante, também, que esse assunto passe a ser discutido com naturalidade. Eu vivenciei, quando mais jovem, de chegar o dia de menstruar e não saber o que era. De achar que era uma doença. Então, isso não pode se perpetuar.”, acrescenta.

O vereador Marquim do Povão, de Crato, disse ter sido procurado por uma eleitora e, a partir disso, transformou a conversa em projeto, aprovado por todos os vereadores cratenses. “Foi um pedido de uma pessoa carente falando sobre essa questão nas salas de aula. Fiz uma pesquisa e muitos municípios brasileiros já têm projetos dessa natureza”, diz o parlamentar. “Vamos fiscalizar. É lei e, da mesma forma que a merenda escolar é enviada para os colégios municipais, esses kits também serão enviados na quantidade de adolescentes e jovens das escolas”.

O vereador Bilinha, de Juazeiro, também diz entender que a menstruação é tratada como tabu, apesar de ser algo natural que acompanha as meninas e mulheres todos os meses. Isso dificulta o debate e a busca por soluções em torno dessa questão”. Para o parlamentar, a pobreza menstruação vai muito além da falta de dinheiro para compra de absorventes e outros itens de higiene pessoal. “E quando isso implica em condições básicas, acaba se tornando um fardo e até mesmo uma questão de saúde pública, muitas das vezes provocando a evasão de meninas no ambiente escolar. O absorvente não é artigo de luxo, mas uma necessidade básica e deve ser um direito”, considera Bilinha.

Movimento de Mulheres

Ativista do movimento feminista no Cariri, Verônica Isidório avalia as iniciativas como positivas “porque todo projeto que vier para melhorar a vida das mulheres, das meninas, e, principalmente, a partir da educação, são extremamente importantes”. Contudo, ela diz estranhar que “ainda hoje, em pleno 2021, as escolas públicas, assim como os presídios, não tenham essa distribuição para todo mundo no Brasil”. Contudo, ela afirma que “cada passo dado em favor da dignidade da vida das mulheres é um passo importante”.

Foto: UNICEF/BRZ/Elias Costa

Fonte: Jornal do Cariri

Postar um comentário

0 Comentários