Fechada há dois anos e meio, reforma da Biblioteca de Juazeiro do Norte passará por nova licitação


Referência para 29 municípios do Cariri, a Biblioteca Pública Municipal Dr. Possidônio da Silva Bem, em Juazeiro do Norte, completou dois anos e meio de portas fechadas para ser reformada. As obras deveriam ter sido concluídas no começo do ano passado, mas o contrato com a antiga construtora foi rompido. De acordo com a Secretaria de Infraestrutura do Município, uma nova licitação deve ser aberta até o fim deste mês.

Com o maior acervo da região, somando cerca de 27 mil exemplares, o equipamento é uma das oito bibliotecas polo do Ceará.  Antes de ser fechada para reforma em fevereiro de 2019, a Biblioteca Pública de Juazeiro do Norte recebia cerca de 3 mil usuários por ano, mesmo em condições precárias. Até 2016, o espaço sequer possuía algum profissional de biblioteconomia à frente de sua coordenação. 

DESCASO

A estrutura apresentava problemas como entupimento das calhas, infiltrações, manchas nas paredes, lâmpadas queimadas e fios de energia soltos. Outro problema identificado era a falta de acessibilidade, sem sequer oferecer rampas ou elevador para cadeirantes ou pessoas com problemas de mobilidade. Isso se agravava, pois a área do principal acervo ficava no primeiro andar do prédio.

Na avaliação do pesquisador e professor Victor Emmanuel Gomes, as condições estruturais que se apresentavam no prédio da Biblioteca, que possui mais de 50 anos, e também a ausência de uma política de valorização e renovação do seu acervo, tornou o local pouco convidativo à população.

“Os móveis eram antigos, o registro de empréstimos era arcaico e o espaço sofria com infiltrações e outros problemas graves para uma biblioteca”.

Victor Emmanuel Gomes

Pesquisador e professor

Após o fechamento, os títulos foram transferidos, na época, para o Centro de Cultura Marcus Jussiê, onde passaram por um processo de informatização, ou seja, estavam sendo digitalizados para facilitar a procura pelos usuários.

Faltam atrativos às bibliotecas

Em novembro de 2019, ainda na gestão do prefeito Arnon Bezerra, foi assinada a ordem de serviço para reforma da biblioteca com investimento previsto de R$ 614 mil. Nela, previa além de um ambiente acessível, a criação de dois espaços dedicados a títulos em braile e outro voltado para histórias em quadrinhos, além de salas de estudos individual e de leitura coletiva. A previsão de entrega da obra era de janeiro de 2020. 

De acordo com o secretário executivo de Infraestrutura de Juazeiro do Norte, Boás David, a empresa responsável pela reforma rompeu o contrato e a obra ficou parada. Para retomá-la, sua pasta está finalizando um novo projeto para licitação. A fase atual inclui orçamento e especificações técnicas. “A gente acredita que ao fim de agosto finaliza e, com o processo de licitação, deve demorar mais 90 dias para retomar”, projeta.
 
O novo projeto inclui a climatização de todas as salas, a construção de uma rampa, instalações de prevenção e combate a incêndio, infraestrutura de rede, pintura interna e externa completas, novas instalações elétricas e o revestimento cerâmico do piso. A estimativa é que o novo orçamento seja de R$ 875 mil e o prazo de conclusão seja de seis meses.

“A empresa chegou a executar parte da obra e não sei detalhar o porquê que foi rompido, mas vamos aproveitar o que foi executado e requalificar para atender mais pessoas e garantir acessibilidade em todo o prédio”, completa Boás. 

IMPORTÂNCIA

Victor Emmanuel acredita que, como Juazeiro do Norte possui poucas livrarias e as universidades públicas não estão na região central da cidade, a Biblioteca Municipal pode se tornar um ambiente importante. “Ela pode ocupar um lugar fundamental na difusão da leitura entre trabalhadores e no apoio a estudantes em geral”, completa o pesquisador. 
“Trata-se de uma política democrática.

Construir um espaço seguro e acolhedor, que combine as importantes obras que constam no acervo da Biblioteca com uma ação constante e dedicada de aquisição de livros”, sugere Victor. 

Foto: Antonio Rodrigues / Fonte: Diário do Nordeste

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