Instagram interrompe desenvolvimento de versão infantil em meio a críticas


O diretor do Instagram, Adam Mosseri, anunciou em uma entrevista nesta segunda-feira, 27, que está interrompendo o desenvolvimento de uma versão do Instagram para crianças. O anúncio acontece depois que a rede social recebeu severas críticas nos últimos dias sobre o impacto que causa na vida de adolescentes.

Uma série de reportagens do jornal americano The Wall Street Journal mostrou, recentemente, que o Facebook tem dados que mostram que o Instagram torna a vida de alguns de seus usuários pior — garotas adolescentes, por exemplo. As matérias foram feitas com base em dados vazados ao jornal e mostram, em resumo, que a plataforma está ciente dos efeitos negativos — como depressão e ansiedade — que é capaz de causar, na pressão pela “vida perfeita”.

O Facebook e o Instagram vinham trabalhando no desenvolvimento de uma versão da rede para menores de 13 anos — idade em que é permitido usar redes sociais com coleta de dados nos EUA. A ideia era que não houvesse publicidade e a versão permitisse monitoramento dos pais.

“Eu ainda acredito que é uma boa ideia construir uma versão do Instagram que seja segura para adolescentes, mas nós queremos ter mais tempos para falar com pais e pesquisadores e especialistas em segurança e conseguir maior consenso sobre como devemos seguir em frente”, disse Mosseri ao programa Today.

Quando notícias surgiram de que o Instagram trabalhava em uma versão para crianças, em março, mensagens internas da empresa afirmavam que a empresa havia identificado a necessidade de um “pilar juvenil” como prioridade.

A reportagem do WSJ sobre saúde no Instagram repercutiu com gravidade nos EUA, e colocou Mosseri em uma posição defensiva. O chefe do Instagram foi, posteriormente, criticado por uma declaração em que comparava mortes em acidentes de carros com o uso problemático das redes sociais.

“Acredito que qualquer coisa que for usada em escala terá resultados positivos e negativos. Carros têm resultados positivos e negativos. Nós entendemos isso. Sabemos que mais pessoas acabam morrendo porque existem acidentes de carro. Mas em geral, os carros criam muito mais valor no mundo do que destroem. E eu acho que as redes sociais são similares”, disse Mosseri.

Atualmente a política do Instagram proíbe contas de pessoas com menos de 13 anos — e a plataforma remove esses perfis. Essa postura está em linha com o Ato de Proteção da Privacidade Online de Crianças (COPPA, na sigla em inglês) estabelece que é necessária autorização parental antes que um aplicativo ou serviço, o que inclui as redes sociais, colete dados de usuários menores de 13 anos.

A lei estabelece que, se uma empresa tem conhecimento que um usuário é menor de 13 anos, fica obrigada a conseguir o consentimento dos responsáveis ou deletar as informações pessoais.

Foto: Thomas White/Reuters / Fonte: Exame

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