Butantan defende efetividade da Coronavac em idosos e contesta Saúde


O Instituto Butantan contestou nesta sexta-feira (8) a informação divulgada pelo Ministério da Saúde, na quinta-feira (7), de que a vacina Coronavac tem baixa efetividade em idosos acima de 80 anos em casos da Covid-19.

A pasta do governo federal utilizou a informação para justificar a descontinuidade da aplicação da Coronavac no ano de 2022, e ainda ressaltou que a decisão está diretamente relacionada à autorização de uso emergencial — a vacina ainda não teve o uso definitivo aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo o Butantan, no entanto, a informação divulgada pelo Ministério da Saúde é equivocada, visto que “a resposta imune em idosos é menor independente do imunizante”.

Em nota à CNN, o instituto disse que enviou, no dia 20 de novembro de 2020, a “primeira parte dos dados de imunogenicidade da CoronaVac”, documentação necessária para oficializar o pedido de registro definitivo da vacina do Butantan.
No entanto, uma discussão sobre as metodologias utilizadas acabou gerando “atraso no processo” de registro definitivo.

“A partir desta data, iniciou-se a discussão sobre as metodologias utilizadas, o que fez com que houvesse esse atraso nos resultados dos testes de imunogenicidade. Se houvesse tido consenso nos métodos propostos pelo instituto, o processo já estaria concluído e o registro definitivo da CoronaVac já teria sido concedido”, disse.

“No momento, com o objetivo de sanar a questão, o Butantan fechou um acordo com a Sinovac para que as análises complementares de imunogenicidade sejam realizadas em parceria com o laboratório. As amostras já foram enviadas para análise no padrão requerido pela Anvisa”, concluiu.

Anvisa diz que não recebeu estudo

A Anvisa, no entanto, comunicou que “até o momento, não recebeu nenhum pedido de registro da vacina Coronavac”.
A agência também diz que o critério utilizado pela na avaliação da Coronavac “foi o mesmo utilizado para todas as demais vacinas autorizadas no Brasil”. Ou seja, que não mudou a metodologia.

“Não houve alteração de metodologia ou regras de análise por parte da Anvisa. Foram apresentadas duas propostas de metodologia para imunogenicidade pelo Instituto Butantan. As propostas não foram consideradas adequadas pela Anvisa, pois não cumpriam com as exigências e parâmetros científicos para avaliação de imunogenicidade de uma vacina”.

Coronavac fora do plano de vacinação federal

Em resposta ao requerimento apresentado pela CPI da Pandemia, o Ministério da Saúde argumentou na quinta-feira (7) que a Coronavac não foi incluída no plano de vacinação contra a Covid-19 em 2022 pela sua “baixa efetividade” em idosos de mais de 80 anos.
No documento, de 169 páginas, a pasta explicou, ainda, que até o momento, não há indicação para usar a vacina como dose de reforço ou adicional.

“Além do fato de estudos demonstrarem a baixa efetividade do imunizante em população acima de 80 anos, discussões na Câmara Técnica que não indicaram tal imunizante como dose de Reforço ou Adicional — conforme NT Técnicas SECOVID, assim, no atual momento, só teria indicação como esquema vacinal primário em indivíduos acima de 18 anos”, diz trecho.

A comissão havia estipulado um prazo de 48 horas para que a pasta respondesse questionamentos sobre o plano de vacinação para 2022 e a razão para interromper o uso da Coronavac no ano que vem.
O ministério reafirmou, ainda, que a possível descontinuidade do imunizante está diretamente relacionada à autorização de uso emergencial, informação que o próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, já havia relatado publicamente.

“A razão sobre a possível descontinuidade da vacina Coronavac no ano de 2022 está diretamente relacionada com condição de sua avaliação pela ANVISA. Até o presente momento a autorização é temporária de uso emergencial, que foi concedida para minimizar, da forma mais rápida possível, os impactos da doença no território nacional”, afirma a pasta.

Nesta sexta-feira (8), o governador de São Paulo João Doria disse que o estado vai continuar comprando, produzindo e aplicando a vacina Coronavac, mesmo se o Ministério da Saúde não fechar novos contratos para o Plano Nacional de Imunização (PNI) de 2022.

Foto: Pixabay / Fonte: CNN Brasil

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