Preço dos alimentos tem alta global e empresários do Cariri explicam o que fazem para driblar a crise e agradar o cliente


É um verdadeiro jogo de cintura e show de malabarismo

Os preços dos alimentos em todo o planeta dispararam quase 33% em setembro de 2021 em comparação com o mesmo período de 2020. As informações são do índice de preços de alimentos mensal da Agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. No Brasil não seria diferente e, de acordo com o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) Cariri e sócio da Kava Cafeteria, Jerônimo Freire, a dificuldade do setor de alimentação fora do lar está justamente nos insumos.

Ele destaca que toda semana há aumentos e tem que ser feita uma conta detalhada, com revisão de custo e de cardápio. “Nem sempre conseguimos repassar todos esses aumentos para o cardápio, até porque não só o empresário, como também o consumidor, está com dificuldades relacionadas a inflação, então a gente tem que fazer um malabarismo muito grande para equilibrar a conta, tendo que rever cada vez mais os custos e apostar em muitas ações que possam nos dar um retorno, como Delivery, diversificação de produtos e margem de cardápio”, disse o empresário.

Atrelado a tudo isso ainda tem o aumento assustador, progressivo e constante do valor da gasolina, que também interfere diretamente, pois o transporte desses alimentos de um lugar ao outro se torna mais caro.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o recordista de aumento foi o óleo de soja, que teve alta de 83,79% no acumulado de 12 meses até junho. O dólar alto também acaba elevando o preço de insumos, já que muitos deles são comercializados com a moeda norte-americana. Raul Francelino, CEO da Carmela casa de carnes, lembra que a solução depende da estratégia do estabelecimento e do foco do negócio que o empresário quer ter. “Para quem está preocupado com o preço para não perder a clientela, existem algumas estratégias como colocar novos pratos visando reaproveitamento e a diminuição da quantidade de proteína nos pratos: reduzir o tamanho da carne, do bife e do frango. Porém, para os negócios que privilegiam qualidade, essa estratégia não funciona uma vez que o cliente pode se sentir lesado”, disse.

Elson Felipe, dono do restaurante Tokyo, localizado no La Plaza Shopping, diz que procurou não mexer nos pratos promocionais e segurar para ver se o preço dos produtos baixa. “Nos próximos dias teremos que fazer uma mudança de valor, pois não há como segurar tanto, pois as vezes temos que buscar uma mercadoria e o frete é mais caro, bem como o frete do motoboy que faz a entrega da comida na casa do cliente. A gente procura juntar três lanches para serem entregues na mesma localidade, pois a gasolina, o pneu e o óleo ficaram mais caros. A gente tenta fazer esse jogo de cintura para manter os preços e agradar os clientes”, destacou.

Assessoria Commonike
commonike.com.br

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