Desmatamento para plantio de grãos toma grande área da Chapada do Araripe


Chapada do Araripe tem Área de Proteção Ambiental (APA) na qual foi permitida plantação de milho e soja.
Ações destinadas ao cultivo de milho e soja para produção de ração para aves podem estar causando o desmatamento de grande parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe.

De acordo com o deputado estadual Renato Roseno (Psol) são cerca de 200 hectares queimados e desmatados no município de Santana do Cariri, no Ceará, e mais de 300 hectares da Serra da Perua, em Exu, município de Pernambuco.

O professor de Engenharia Ambiental do Instituto Federal do Ceará (IFCE) Basílio de Silva Neto, explica que se tratar de uma Área de Proteção Ambiental não impede o desenvolvimento econômico, mas que esse deve ser sustentável, proteger o meio ambiente, gerar riqueza a curto, médio e longo prazo para todas as pessoas, além de valorizar a cultura local.

Segundo o docente, foi aprovado um projeto que seria implantado na Serra da Perua. “Inicialmente, seriam 200 hectares para a produção de soja e 200 hectares para produção de milho. Então é bastante significativo, e não há um estudo detalhado do impacto ambiental que é necessário para uma área de conservação. Há uma preocupação se esse desenvolvimento realmente vai ser sustentável, até mesmo porque tem perfuração de poços, que pode vir a comprometer as fontes nas encostas da Chapada do Araripe”, afirmou em entrevista à rádio CBN Cariri.

São necessárias três licenças para a realização de um empreendimento, a licença prévia, a de implantação e a de operação, conforme Basílio. “Essas licenças foram concedidas, mas há ainda a necessidade de realizar o estudo e os relatórios de impacto ambiental, tendo em vista os possíveis danos que isso pode acarretar. O desenvolvimento tem que ser ampliado, e estudado para que a gente consiga ter o potencial completo”, afirma.

O professor ressalta ainda que, mesmo liberado, o empreendimento tem que ser acompanhado. “É necessário observar se os estudos estavam detalhados e se eles contemplam todas as variáveis de possíveis impactos. Então, por mais que um órgão consiga emitir uma licença, ela pode ser questionada, tendo em vista a gravidade do empreendimento. Isso pode vir a ser suspenso e ser exigido uma documentação mais efetiva para a implantação”, disse.

Foto: Fabio Lima / Fonte: O Povo

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