Tráfego comprometido em estradas de Juazeiro, Crato e Campos Sales

A população reclama das CEs 561 e 292, importantes vias que estão em péssimo estado de conservação

Crato. Estradas do Cariri ainda são um grande problema para a população, e projetos de vias já licitadas seguem emperrados pela falta de licenciamento ambiental, para dar andamento às obras de recuperação, como é o caso da recém-oficializada CE-561, em 2012, trecho entre o Crato e o distrito de Santa Fé, na cidade cratense.

Outra que se encontra com o mesmo problema, mas que se arrasta há mais tempo, desde 2010, é a CE-292, a mais movimentada da região, que abrange o trecho entre Juazeiro do Norte e Campos Sales. A parte mais prejudicada corta a Área de Proteção Permanente (APP), da Floresta Nacional do Araripe (Flona), e também faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe, em 30km.
Também já chegou a ser interditada por estudantes, que fazem a rota diária para as cidades de Crato e Juazeiro. Na área, uma placa anuncia o trecho prejudicado, que durante o inverno tende a se agravar. Segundo a gerente ambiental do Departamento de Edificações e Rodovias (DER), Lúcia Gadelha, todos os documentos exigidos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) foram levantados, no que diz respeito à estrada que insere a área da Floresta Nacional do Araripe e vai até Nova Olinda.
Remendos
A perspectiva é que a licença seja aprovada e o projeto autorizado ainda este ano, o que poderá adiantar a construção da estrada. Desde que foi feita na área da floresta, há cerca de cinco décadas, não havia passado por melhorias em sua completude. Apenas alguns reparos, que vêm prejudicando os motoristas em um trecho bastante irregular.
Nas proximidades de Nova Olinda, o problema se agrava com os buracos que nos últimos dias têm se multiplicado. Foi proposto pelo ICMbio que esse trecho da CE-292 deixasse de existir e o tráfego passasse pelo distrito de Santa Fé, o que encarecia mais ainda e precisa de um novo projeto, o que acabou se tornando inviável.
A meta agora é dar sequência às obras, que a burocracia emperra há cerca de quatro anos. A justificativa era a de que o local abrange área de floresta, o que o ICMbio recomendava não ter estrada. "Mas o impacto seria muito maior, já que atualmente existe a estrada e o trecho pode ser aproveitado apenas para a recuperação", diz a gerente.
Segundo ela, o projeto de recuperação da malha viária não terá impacto ao meio ambiente, além do corte existente. Enfatiza que é preciso analisar nas duas obras das estradas já licitadas, o impacto social, que é muito grande e as pessoas estão correndo risco. A empresa Terrabrás venceu a licitação para recuperar a estrada de acesso à Nova Olinda.
Entretanto, no momento, como já tem cerca de quatro anos que o projeto está parado, terão de ser feitos novos cálculos com a liberação da verba, que será garantida para as duas estradas, por meio de empréstimo do Banco Mundial. No caso da estrada de Santa Fé, com cerca de 12 km, o projeto foi licitado ano passado e a empresa Coral irá fazer as obras, com novo cálculo por conta do tempo que o projeto ainda deverá ficar parado.
Até abril desse ano, vence o prazo de 60 dias para levantar os 22 itens exigidos pelo ICMbio e poderá ser estendido por 90 dias. Conforme a gerente, não houve a exigência de um Estudo e Impacto Ambiental (EIA/RIMA), como na CE-292, mas reúne quase o mesmo número de documentos para esta finalidade, já que é APA.
Gravidade
O problema se torna mais grave na estrada que dá cesso ao distrito cratense, por não haver sequer asfaltamento e qualquer espécie de sinalização na área. Vários trechos da estrada estão totalmente tomados pelo mato e há verdadeiras crateras, que cedem principalmente nos locais que deveriam servir de acostamento. Há buracos que tomam parte da estrada, com espaço para apenas um veículo passar. Com o desgaste total, se tornou uma estrada carroçável.
O tráfego de veículos é intenso, principalmente de camionetas que transportam passageiros, a maior parte das vezes lotadas. São pelo menos 35 delas que circulam diariamente na área, além dos ônibus escolares. Em anos anteriores, crianças ficaram sem aulas por conta da interdição de trechos da CE.
Atualmente, a administração local tem procurado minimizar o problema, passando a máquina para deixar a via mais plana, principalmente durante essa fase de chuvas. O transporte de passageiros feito em camionetas D-20, além de já não oferecer segurança à população, os motoristas ainda afirmam que têm de redobrar os cuidados, por conta dos perigos da estrada de Santa Fé. Os prejuízos são grandes.
O motorista Antônio Cândido que o diga. Há quase dois anos realizando o tráfego diariamente, ele afirma que o trecho que poderia ser feito em 20 minutos, demora até mais de uma hora. "Se a gente não andar devagar, quebra tudo", diz ele. Afirma que o problema já extrapolou e passou a ser um descaso com a vida das pessoas. A BR-230 é a extinta Transamazônica que liga o Norte ao Nordeste do País, indo até Cabedelo na Paraíba. É justamente no trecho entre as cidades de Farias Brito e Várzea Alegre que o problema da buraqueira começa a se agravar. Cerca de 30% de um trecho de 36 estão danificados.
A última reforma na estrada foi realizada no ano passado, mas depois das chuvas, os estragos voltaram em alguns trechos. No caso da BR-230, a assessoria de imprensa não se manifestou sobre quando será feita recuperação do trecho. O trecho mais próximo entre Aurora e Juazeiro do Norte, de 75 km, está praticamente sem condições de tráfego. A promessa, segundo o chefe de gabinete da prefeitura local, Sebastião Rangel Filho, é que seja transformada em CE, interligando com a Rodovia Padre Cícero, na CE-286.
O local precisa receber asfaltamento e sinalização. A única via que dá acesso e que se encontra em melhores condições de tráfego, leva o dobro do trajeto. Ele disse que a expectativa dada pelo Governo é que a licitação para o trecho ocorra ainda este ano.

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