Microscópio deve aumentar o número de neurocirurgias no Cariri


O microscópio S88, da marca alemã Zeiss, deve diminuir
em duas horas o tempo das cirurgias.

FOTO: ANTONIO RODRIGUES

Referência em neurocirurgia para 45 municípios das regiões do Cariri e Centro-Sul, além de estados vizinhos como Pernambuco, Paraíba e Piauí, o Hospital Santo Antônio, em Barbalha, ganhou um novo microscópio de alta qualidade. Além de reduzir o tempo total nos procedimentos, a aquisição deve diminuir a fila de espera de pacientes com tumores e aneurismas cerebrais, por exemplo. O equipamento está funcionando há duas semanas e tem estimulado a equipe médica.

O microscópio S88, da marca alemã Zeiss, é uma das melhores tecnologias para neurocirurgias. A base de solo é um dos componentes de destaque, que ajuda no comando das funções motoras e possibilita grande mobilidade e fácil manejo. Por causa disso, o neurocirurgião João Ananias, estima que as cirurgias com 10 horas de duração, agora poderão ser feitas em oito.

“Coloco a luz onde quero, do jeito que quero. Diminui consideravelmente o cansaço da gente”, pontua. O médico, que trabalha no hospital há 19 anos, foi o primeiro neurocirurgião a atuar na região do Cariri. Ele acompanhou a evolução tecnológica na unidade de saúde. “Quando cheguei aqui, a gente tinha um microscópio pequeno, com uma luz amarela, e com deficiências. Era o que tinha na região e no Ceará mesmo”, lembra.

Essa evolução começou há oito anos, com a chegada do primeiro microscópio da Zeiss, que tem boa qualidade de zoom, mas não tem a mesma mobilidade do novo equipamento. “Depende até de uma terceira pessoa e isso leva tempo cirúrgico”, pontua o médico. O antigo microscópio será mantido e funcionará simultaneamente com o S88, para diminuir a fila de espera para cirurgias eletivas.

A previsão é de que a média atual de 20 procedimentos mensais, realizados pela equipe de oito neurocirurgiões, chegue a 60. “Hoje, o hospital tem dois microscópios de boa qualidade. Consegue ampliar a movimentação cirúrgica do ponto de vista de alta complexidade e a própria neurocirurgia”, acrescenta Ananias.

AcidentesApesar da tendência de aumento no fluxo de pacientes, João Ananias pontua um problema que vai além da limitação dos equipamentos: o número alto de acidentes de trânsito na região do Cariri. “É um problema sério. Devido a este distúrbio social que a gente tem, muitos pacientes ocupam leito de UTI por causa de trauma, queda de motocicleta. É evitável. Muitas vezes deixei de operar um tumor cerebral, um aneurisma cerebral, tive que adiar cirurgias, porque a UTI estava ocupada e não tinha mais vaga. É absurdo!”, pontua o especialista.

Mais benefíciosOutro importante impacto da nova máquina na região é o registro cirúrgico, que gera um filme em alta definição. O material, por exemplo, pode ser usado em aulas em faculdades de medicina do Cariri e, também, no aperfeiçoamento da própria equipe. “Na cirurgia, há aquela tensão do momento. Com o vídeo, você observa que se tivesse feito de outro jeito, talvez tivesse sido melhor”, finaliza o neurocirugião João Ananias.                        

     (Diário do Nordeste)

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