Família cearense tem 10 pessoas contaminadas pelo coronavírus, mas todas se recuperam; ‘Efeito dominó’


Uma família de Fortaleza passou pelo que descrevem como um “efeito dominó” do novo coronavírus. Desde abril, 10 parentes foram contaminados e outras 7 apresentaram sintomas da doença. Apesar dos momentos de tensão, todos se recuperaram da doença.

Além disso, cinco precisaram ser internados para tratar a Covid-19. A última paciente foi uma idosa de 95 anos, que estava internada no Hospital de Campanha do Presidente Vargas.

(Correção: O G1 errou ao informar que 17 pessoas foram contaminadas pelo coronavírus. 10 testaram positivo para Covid-19 e outras 7 apresentaram sintomas suspeitos, mas não realizaram exames. O erro foi corrigido às 13h15)

O grupo cumpria o isolamento social em suas respectivas casas no bairro Parangaba; as residências são vizinhas e separadas por um quintal. Segundo relatos dos familiares infectados, a doença foi observada de diferentes maneiras: em alguns, assintomática. Em outros, sintomas mais brandos como ausência de olfato e paladar. Grande parte, porém, teve que lidar com o “pacote completo”, desde sintomas brandos até os mais intensos, como diarreia e falta de ar.

“A primeira pessoa da família que pegou, a gente acha que foi o meu pai. Ele começou a sentir os sintomas no dia 25 de abril”, relata Luana Cavalcante, 24. A assistente em administração mora com os pais e uma tia idosa, e acredita que o contágio se iniciou após o contato com um primo, que estava assintomático. “Aqui mesmo, ninguém saía de casa. A gente pagava boleto pela Internet, pedia compras pelo WhatsApp. Pra sair, tinha que ser algo muito necessário”.

Ela e os parentes começaram a questionar a possível presença do coronavírus depois que o pai apresentou febre, falta de apetite e fraqueza. Restou pouco tempo para dúvida. Três dias depois, Luana e sua mãe tiveram os mesmos sinais, além de diarreia, dor de cabeça e “garganta muito inflamada”. A ausência de olfato também veio, porém, ela ressalta que os sintomas nem sempre se manifestavam ao mesmo tempo.

“Foi como um efeito dominó, um ficando doente atrás do outro, e não tinha mais como controlar. Assim que eu tive os sintomas, me tranquei dentro do quarto, minha mãe colocava as coisas na cadeira do lado de fora pra eu pegar. A gente foi se isolando”, conta.

Novos casos
Poucos dias depois dos desdobramentos na casa de Luana, um novo ciclo iniciou em uma residência vizinha. A empresária Iris Cavalcante, 53, teve seus primeiros sintomas no dia 30 de abril, com tosse e dor de garganta. Mais tarde, no dia 4 de abril, surgiu a febre.

“Nesse mesmo dia, eu, meu esposo, minha tia que mora conosco, todos começamos a ter bastante moleza no corpo e febre. Meus principais sintomas foram diarreia, que eu tive por 20 dias, falta de apetite, dor no corpo e moleza, não conseguia fazer nada. Também não conseguia comer nada, só sopa e água. Cheguei a perder sete quilos”, revela.

A empresária foi a um hospital após cinco dias convivendo com as enfermidades. Lá, um exame de raio-x indicou inflamações o pulmão, e, somado ao resultado do exame de sangue, foi medicada para tratar a Covid-19. A mãe e o marido de Iris precisaram ser internados, assim como a tia e uma prima. Todos testaram positivo para a doença.

A recuperação de Iris aconteceu em casa, e a melhora foi sentida 20 dias depois. “Ficamos juntos eu, meu primo e meus dois filhos, de oito e quatro anos. Eles também tiveram, mas foram assintomáticos”, diz. “Depois da doença você fica debilitado, sem forças. Mas a gente vai se recuperando gradualmente”.

Todos os membros da família que estiveram internados receberam alta, e, mesmo em casa, mantêm os cuidados de distanciamento e uso de máscara. Antes do contágio, o grupo também cumpria a quarentena, saindo exclusivamente para ir ao mercado ou ao banco, quando necessário.

“Hoje estou bem melhor, e graças a Deus estamos em casa. Mas foi algo que abalou demais a nossa família, mexe muito com o nosso psicológico. Quando a pessoa é internada, você pensa que não vai voltar. Foram dias muito difíceis para nós, vendo todo mundo doente”, lamenta.

Recuperação
Aos 95 anos, Nilza Cavalcante foi a mais recente recuperada da Covid-19 na família. A idosa foi a paciente de número 799 a receber alta do Hospital de Campanha do Estádio Presidente Vargas (PV), na última sexta-feira (5).

Acompanhada da sobrinha, a gerente de loja Rayssa Cavalcante, a idosa deixou a unidade de saúde após 17 dias internada. “Foram dias de muita aflição, medo, angústia e incertezas. A doença ainda não tem uma cura certa, depende do organismo mesmo para responder ao tratamento”, afirma Rayssa.

Sobre a alta da tia-avó Nilza, Iris Cavalcante comemora a alegria em conjunto da família. “Além da idade, ela também já passou por uma chikungunya. Nós nos esforçamos, também, para fazer videochamadas para deixar ela mais acolhida, mesmo internada. É uma vitória de toda a família que, de forma unida, pediu por essa cura. Só faltava ela pra gente agradecer por tudo mesmo”, afirma.

Foto: Arquivo Pessoal

Fonte: Portal G1

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