Paciente com Síndrome de Down abraçado por enfermeiro morre à espera de leito de UTI no AM


Emerson Júnior, paciente com síndrome de Down que emocionou a internet após aparecer em uma imagem abraçando um enfermeiro, morreu nesta quinta-feira (28) em decorrência da Covid-19. Aos 30 anos de idade, ele estava internado desde o último dia 20 com sintomas da doença e aguardava para ser transferido para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Manaus.

A foto que viralizou nas redes sociais foi tirada na madrugada de sexta-feira (22) para sábado (23), em um hospital de campanha de Caapiranga, interior do Amazonas, após o falecimento de um senhor que também estava no local.

Júnior estava muito agitado e não permitia que colocassem a máscara de oxigênio nele. Para tentar acalmá-lo e convencê-lo, o enfermeiro Raimundo Nogueira Matos, de 38 anos, resolve abraçá-lo.

“Achei muito lindo. Senti que Deus estava ali e usou o enfermeiro para acalmá-lo. Ele se sentiu calmo e graças ao Ray conseguiu voltar a respiração normal”, contou a operadora de máquina Mirene Borges da Silva, 38 anos, que também estava internada com a Covid-19 e fotografou os dois.

Na terça-feira (26), ele teve uma parada cardíaca, precisou ser intubado e transferido para um hospital na cidade de Manacapuru, a 99 Km de Manaus. Keitiane Loureiro, uma das irmãs dele, conta que Emerson chegou a apresentar uma melhora e que a expectativa era que ele fosse transferido para uma UTI de Manaus nesta quinta-feira.

“Nem a gente entendeu o que aconteceu. Na madrugada, a saturação de oxigênio foi para 98%. Pensamos que seria possível levá-lo para a UTI. Quando foi de manhã, a assistente
social no ligou para avisar do falecimento”, relata.

Comoção

A morte de Emerson comoveu os moradores da cidade de Caapiranga, onde ele morava.
“Junior era muito querido por todos nós da cidade, uma eterna criança, super doce, carinhoso, adorado por todos nós. Vamos sentir sua falta nos festejos, suas danças engraçadas, seus contos engraçados, ah é difícil demais”, escreveu Aurys Matos, conselheira tutelar no município.
Keitiane também conta que ele era um “xodó” e diz que os bons momentos com o irmão não serão esquecidos. “Os profissionais de saúde fizeram de tudo para tentar salvá-lo, ele era muito querido. Vai fazer muita falta em Caapiranga, mas sempre vamos lembrar da alegria dele.”

Segunda onda

O Amazonas vive uma grave crise por conta do avanço da segunda onda de coronavírus. Neste mês, começou a faltar oxigênio nos hospitais das redes públicas e particular do estado.
De acordo com dados da plataforma Monitora Covid-19, da Fiocruz, o Amazonas ultrapassou o Rio de Janeiro e se tornou o estado com maior a maior taxa de mortalidade por Covid-19 no Brasil desde o começo da pandemia. São 171,87 óbitos a cada 100 mil habitantes.

Foto: Mirene Borges da Silva

Fonte: CNN Brasil

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