Mortes de idosos acima de 90 anos por Covid-19 caem 70% na cidade de SP em fevereiro; especialistas falam em ‘reflexo da vacinação’


O número de mortes por Covid-19 entre idosos com mais de 90 anos na cidade de São Paulo caiu 70% entre janeiro e fevereiro de 2021, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) obtidos com exclusividade pela TV Globo e pelo G1.

Para especialistas, a redução acentuada, principalmente nas mortes desse grupo, pode já estar refletindo os efeitos da aplicação das vacinas entre os idosos da cidade, que começou há 30 dias (leia mais abaixo).

No Pernambuco, um levantamento da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) também mostrou, por meio de dados preliminares, uma diminuição no número de solicitações de leitos de UTI para idosos com mais de 85 anos com Covid-19 no estado após o início da vacinação.
Os dados Prefeitura de São Paulo compreendem o período das primeiras semanas de aplicação da primeira dose do imunizante contra a Covid-19 na capital paulista, que começou em 5 fevereiro.

De acordo com a gestão paulistana, as mortes desses idosos recuaram de 127 em janeiro para 38 no mês passado. Os números de internações e de casos também tiveram uma queda acentuada.

Em janeiro, 246 idosos com mais de 90 anos foram internados por Covid-19 na capital paulista. Em fevereiro, o número caiu para 104, uma redução 57,7%, segundo o levantamento da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

Já o total de casos confirmados de Covid-19 entre os paulistanos desta faixa etária passou de 380, em janeiro, para 144, em fevereiro, uma queda de 62,1%.

‘Reflexos da vacinação’

Segundo a Prefeitura de SP, os números contemplam casos de residentes da capital e abrangem todos os equipamentos de saúde da cidade, sejam eles municipais, estaduais, privados ou filantrópicos.
Para o infectologista da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Renato Kfouri, os dados são ainda preliminares em relação aos efeitos da imunização, mas “bastante animadores sobre a efetividade das vacinas na vida real das pessoas”.

“Considerando que a vacina começou a ser aplicada em 5 de fevereiro e que elas começam a fazer efeito até 15 dias depois, é possível que a redução possa já ser reflexo da vacinação, especialmente em relação às mortes”, afirmou.

“Porque, no caso da Coronavac, do Butantan, por exemplo, não há muitos dados sobre a efetividade após a aplicação da primeira dose. Tanto a Coronavac quanto a vacina de Oxford foram aprovadas pela Anvisa porque têm efetividade comprovada após a aplicação da segunda dose. Porém, esses números podem nos indicar que, mesmo na primeira dose, já pode haver o resultado positivo que o mundo inteiro busca”, diz Kfouri.

“São dados bastante preliminares e é preciso esperar os números de março e abril para que tenhamos uma conclusão efetiva. Mas se os números se mantiverem, é um resultado fantástico e confirma aquilo que a gente vem dizendo: a vacinação é boa e importante para a gente sair dessa pandemia”, completou o infectologista.

A opinião é compartilhada pelo médico Álvaro Furtado da Costa, infectologista do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo. Para ele, a vacina contra a Covid-19 é o “único fator novo” desses últimos meses, apesar do crescimento dos casos e óbitos desde janeiro na cidade e no estado de São Paulo.

“Estamos em um momento de crescimento dos casos e das mortes pela Covid desde o início de janeiro. E desde o começo da pandemia, a gente tem dito que os idosos são os mais vulneráveis à doença. Eles obviamente são os mais resguardados e isolados. Com a chegada da vacina, essa proteção foi redobrada. Então, se a gente separar os fatores novos dessa conta, a vacina foi o único fator novo, além do isolamento. O que pode nos indicar sim que a vacina é tudo aquilo que há meses a gente defende, assim como o isolamento, que também é importantíssimo”, afirma.

Segundo o infectologista do Hospital das Clínicas, os dados preliminares da Prefeitura de SP também coincidem com outros dados de efetividade da vacina em países como o Reino Unido, onde a vacinação reduziu em 80% as internações de pacientes com mais de 80 anos.
“No Reino Unido eles aplicaram massivamente a vacina da Pfizer e da Oxford/AstraZeneca, que também é aplicada no Brasil em volume menor que a Coronavac. Mas isso indica que a Coronavac, do Butantan, que até agora foi a mais difundida e aplicada em SP, também pode ter o mesmo efeito positivo”, destaca Álvaro Furtado.
O G1 questionou a gestão municipal a que se pode atribuir a queda acentuada desses números entre janeiro e fevereiro, mas não teve retorno até a última atualização dessa reportagem.

Vacinação dos maiores de 90 anos em São Paulo

Os idosos com mais de 90 anos começaram a ser vacinados na cidade de São Paulo no dia 5 de fevereiro. O início da vacinação na cidade foi marcado por emoção e alívio por parte dos parentes e dos idosos imunizados.
O balanço da Secretaria Municipal de Saúde aponta que, até esta sexta (5), pelo menos 78.734 idosos com mais de 90 anos já tinham sido imunizados na capital, 52.034 receberam a primeira dose e outros 26.700 a segunda dose.
Logo no primeiro dia de imunização, cerca de um terço dos mais de 30 mil idosos com mais de 90 anos da capital já haviam sido vacinados contra a Covid-19. A agilidade permitiu a antecipação da vacinação para os maiores de 85 anos.

Entre os idosos de 85 a 89 anos, pelo menos 115.785 deles já tinham sido vacinados na cidade até sexta (5), 93 mil com a primeiro dose e 21 mil com a segunda dose.
Segundo a prefeitura, a capital já vacinou o total de 389.292 idosos das faixas etárias acima de 77 anos. Nos cálculos da gestão municipal, cerca de 95% dos idosos de 80 a 84 anos e mais de 90% daqueles entre 77 e 79 anos já receberam ao menos a primeira dose da imunização.
Neste sábado (6) a 1a etapa da imunização na capital foi feita nas 468 UBSs da capital (veja a lista completa). A vacinação inclui os seguintes grupos:

Idosos com mais de 77 anos;

Idosos a partir de 60 anos residentes em instituições institucionalizadas de longa permanência;

Pessoas com 18 anos ou mais com deficiência, residentes em residências institucionalizadas inclusivas;

População indígena vivendo em terras indígenas;

Quilombolas;

Profissionais de saúde a partir de 55 anos;

Moradores de rua com mais de 60 anos;

Sepultadores, veloristas, cremadores e condutores de veículos dos cemitérios públicos e privados do município de São Paulo;

Trabalhadores dos serviços público CDI, SEAS, Centros de Acolhida Adulto e POP RUA.

📸 Pablício Vieira/Ascom Arapiraca

Fonte: Portal G1

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