Nordeste deve garantir energia para o Sul em meio à crise hídrica


Em meio à pior crise hídrica no País em 91 anos e ao recente agravamento nas condições do setor elétrico, especialmente no Sul, os reservatórios no Nordeste estão sob olhares mais atentos para garantir o abastecimento nos próximos meses.

A situação crítica do setor elétrico levou o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) a definir novas medidas para garantir o suprimento de energia no País, como a flexibilização das restrições de operação na bacia do São Francisco e redução de cotas mínimas em outras bacias.

O objetivo de flexibilizar as restrições no São Francisco é a garantia de recursos energéticos adicionais para assegurar condições de suprimento e evitar assim uma degradação maior dos reservatórios no Sul e Sudeste.

Os anos de restrição levaram os reservatórios do São Francisco dos 12% atingidos em agosto de 2017 para a casa dos 50% este mês. O uso mais intensivo das hidrelétricas do Nordeste preocupa o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, que teme o risco de voltar a conviver com baixos níveis de água.

O nível dos reservatórios das hidrelétricas da região Sul caiu 17 pontos percentuais em agosto e chegou a 30,7% da capacidade de armazenamento de energia na última terça-feira (24).

No Sudeste/Centro-Oeste, a capacidade está em 22,8%, mas a perda foi menor: 3,2 pontos percentuais neste mês. Enquanto isso, os níveis no Nordeste estão pela metade: 50,4%.

CONTRIBUIÇÃO EÓLICA

O Nordeste já vem dando grande contribuição contra a crise energética por meio da geração de energia eólica e solar, que bateu diversos recordes nas últimas semanas.

Para ampliar a transferência, o governo reduziu limites mínimos de confiabilidade no sistema de transmissão, permitindo o transporte de maiores volumes de energia.
Daniel Queiroz, diretor técnico do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Ceará (Sindienergia), reforça que o Nordeste passa a fazer cada vez mais parte do protagonismo na geração de energia do Brasil.

“Uma opção mais sustentável e definitiva na luta pela descentralização da matriz energética”, diz Queiroz, destacando os parques eólicos e fotovoltaicos. “Muito em breve teremos o hidrogênio verde”.
Ele avalia que são necessários, porém, mais incentivos e oportunidades para que essas plantas energéticas se potencializem. Também reforça a importância da conexão com linhas de transmissão.

“Não adianta nada criarmos essas ilhas energéticas se a gente não conectar com abundância essa geração renovável dentro das linhas. Isso permite fazer exatamente esse contrabalanceamento. O Nordeste tem como virar o jogo na centralização da matriz energética”, arremata Queiroz.

Daniel Queiroz

Diretor Técnico do Sindienergia

O consultor de energia da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Jurandir Picanço, também reforça que o Nordeste se destaca na geração de energia eólica nesse momento e, diante disso, tem feito a transferência de energia.

“Agora, o balanço geral é que está sendo insuficiente. A situação está muito crítica, já foram tomadas diversas providências e elas têm reflexo muito forte, porque a vazão dos rios sendo reduzida prejudica o abastecimento em algumas cidades, prejudica o turismo. Já existem consequências fortes”, lamenta Picanço.

RACIONAMENTO

Ele lembra que a palavra racionamento possui “um peso político muito forte” e avalia que “o governo tem evitado de toda forma iniciar esse processo”.
“Se não houvesse esse reflexo político forte, seria bem salutar iniciar um racionamento pequeno, todos reduzindo 5% do consumo. Se precisássemos de mais, já teríamos todo o esquema montado”, detalha Picanço.

*com informações da Folhapress

Foto: Reprodução / Fonte: Diário do Nordeste

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