segunda-feira, 10 de junho de 2019


A região do Cariri foi uma das que registraram maioríndice de perda. Em Salitre (foto), o plantio defeijão foi prejudicado pela falta de água.FOTO: ANDRÉ COSTANo início de cada ano, a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) faz uma estimativa da colheita dos grãos ao fim da quadra chuvosa. Em 2019, o resultado verificado ao fim do período de chuvas ficou aquém da expectativa, que era de atingir 653 mil toneladas, um dos melhores índices já ansiados no Ceará.

A irregularidade das precipitações, de forma espacial e temporal entre fevereiro e maio, resultou em perda para a safra de grãos. Os fatores que ocasionaram esse cenário estão relacionados com a chuva. Na região Norte (Ibiapaba, Sobral e Baixo Acaraú) os prejuízos foram causados por excesso de precipitações. No Sertão Central, Inhamuns, Centro-Sul e Cariri, por escassez de água.

Frustração”Se não fossem os veranicos, teríamos uma das maiores safras da história do Ceará”, pontua o titular da SDA, De Assis Diniz. A agrônoma da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Gecilda Correia Nunes, que faz o relatório sobre a situação de produção da safra de grãos de sequeiros, descreve a frustração no plantio. “Neste ano, tivemos perda média, até o momento, de 25,84% em relação ao esperado no início do ano”, pontuou. Esse indicador pode chegar, após a finalização do relatório, à marca de 30% de perda, se comparado ao prognóstico do início do ano.

A região do Cariri foi uma das que registraram maior índice de perda. Em Brejo Santo, por exemplo, a frustração da safra de milho chega a 87% e de feijão de corda, 65%. Já em Jardim, no extremo Sul do Ceará a média de perda é de 90%. “Tivemos uma perda significativa”, observou o gerente regional da Ematerce, José Dias Ferreira. “Foi um desastre”.

No Cariri, as chuvas chegaram tarde, a partir da segunda quinzena de março. O agricultor Francisco Lima plantou três hectares de milho e feijão na localidade de São Felipe.
O presidente da Ematerce, Antônio Amorim, destacou o prejuízo econômico para a região. “No Cariri, que historicamente tem larga produção de grãos, as perdas foram muito elevadas e isso vai impactar a economia local, com menos dinheiro circulando nas cidades”, avaliou.

No Médio Jaguaribe, a perda média estimada de grãos é de 10%. Em Alto Santo, chega a 23% a frustração de safra. “A cultura do milho foi a mais afetada”, disse João Alves de Menezes, coordenador regional da Ematerce em Jaguaribe.
Nas regiões Jaguaribana e no Centro-Sul cearenses, a maior dificuldade é a escassez de água nos açudes. “Não tivemos recarga nenhuma”, disse Menezes. Em Iguatu, a perda média de milho é de 27% e a de feijão 22%, mas em Quixelô é mais elevada: milho chega a 35% e feijão, 27%. “Os técnicos estão em campo avaliando a situação após a quadra invernosa, por isso que os dados ainda são parciais”, explicou o gerente local da Ematerce, Erivaldo Barbosa. “As chuvas foram muito irregulares e há distritos com perdas muito elevadas, como a região de Riacho Vermelho”.

Outros municípios da região, como Quixeramobim, Quixadá, Solonópole, Piquet Carneiro e Mombaça, apresentaram perda média de 20% nas duas principais culturas: milho e feijão-de-corda. “Tivemos dois grandes veranicos que impediram o crescimento do plantio”, observou o gerente regional da Ematerce, Francisco Albany Rolim. “E a situação mais complicada é a falta de água nos açudes”.             

   (Diário do Nordeste)

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