Ceará tem média de 422 casos anuais de Leishmaniose Visceral em humanos


Conhecida como calazar, a Leishmaniose Visceral (LV) tem média de 422 diagnósticos no Ceará, entre os anos de 2007 a agosto de 2020, segundo dados da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa). No total, durante o período observado, já foram 5.912 casos em todo o Estado. A doença, segundo a Sesa, é uma zoonose crônica e sistêmica que, se não tratada corretamente, pode evoluir para óbito em mais de 90% dos casos.

Os dados apontam um declínio na incidência clínica da doença, com os maiores valores observados nos anos de 2009 (7,27 casos/100.000 habitantes) e 2007 (7,09 casos/100.000 habitantes). Em número de casos, nos últimos três anos, houve uma queda de 17,8% dos registros, enquanto a incidência foi de 3,68; 3,57 e 3,02/100.000 habitantes em 2017, 2018 e 2019, respectivamente. 

A Superintendência Regional com o maior número de casos do Estado, entre 2007 a 2020, foi identificada, por teste laboratorial, em Fortaleza (94,61%), no Litoral Leste (89,81%), Sertão Central (88,82%) e Norte (86,49%). 
Já em 2020, até agosto, o Ceará registrou 135 casos de LV em humanos e a incidência da zoonose ficou em 1,51/100.000 habitantes. Os maiores registros foram nos municípios de Ipaporanga (34,79/100.000 hab.) e Catunda (19,36/100.000 hab.). 

Do total de casos entre 2007 e 2020, a faixa etária de 20 a 49 anos teve o maior registro da doença, cerca de 36,01%. A segunda maior porcentagem de diagnósticos foi entre menores de um a quatro anos, correspondentes a 30,13% dos casos totais. Já o gênero mais afetado foi o masculino, com 67,61% dos registros. 

Segundo o médico de família e comunidade, Roberto Maranhão, o Ceará é um dos estados endêmicos da doença no país. “A gente tem a circulação da doença de maneira contínua, principalmente na região serrana, muito propícia para a transmissão. A LV é diferente da dengue, por exemplo, quando temos epidemias sazonais”.

Conforme Maranhão, os casos de LV são multifatoriais. “O processo de redução dos casos pode estar mais atrelado à vigilância epidemiológica, com os avanços nos cuidados com os animais, principalmente. A urbanização também diminui a questão do mosquito que aloja a doença, já que ele é mais comum em ambientes interioranos. A redução, então, se dá pouco a pouco, somando os esforços da equipe da zoonoses, principalmente”, reflete.

Risco

De acordo com a estratificação de risco definida pelo Sistema de Informação das Leishmanioses – SisLeish (OPAS/OMS/ESTADO/MUNICÍPIO), considerando-se o índice composto do triênio 2017 a 2019, o Ceará possui 141 municípios com transmissão de LV, sendo 113 (80,14%) de baixa transmissão, com cerca de 0,33 a 2,33 casos registrados, e 28 (19,86%) municípios considerados prioritários.
Dos prioritários, dois têm transmissão intensa (Fortaleza e Ipaporanga), com 15 a 36 casos; um tem transmissão alta (Barbalha), de sete a 15 casos e 25 têm transmissão média, variando de 2,33 a sete registros.

Transmissão

Conforme o relatório da Sesa, a transmissão da doença não ocorre de pessoa para pessoa, pode se dar tanto na zona rural quanto na urbana, com diferentes “reservatórios”. Segundo o médico Roberto Maranhão, o ciclo começa com o mosquito fêmea infectado, que repassa o parasita a um cachorro, o principal reservatório da doença na zona urbana. Em seguida, o mosquito pode repassar a doença do cachorro para o humano, agindo como transmissor da doença.

Os principais sintomas da doença são semelhantes a uma virose, de acordo com o especialista. “Mal estar e sintomas gastrointestinais são recorrentes. Não há um sintoma específico. Contudo, ao procurar uma unidade de saúde, esses sintomas vão ser tratados com os medicamentos para amenizar uma virose, mas o paciente deve estar atento se os sintomas não passarem conforme é esperado, após duas ou três semanas. Isso levanta o alerta para leishmaniose e, a partir de então, faz-se o exame e começa o tratamento específico”, alerta.

“Para uma pessoa morrer de LV, isso significa que ela ignorou todos os sinais, não procurou uma unidade de saúde e retardou demais o tratamento para a doença ou ela já ter outras doenças. Uma pessoa que começou um tratamento precoce, no primeiro mês da doença, por exemplo, tem uma boa resposta, apesar dos efeitos colaterais das medicações”.  

FOTO: Reinaldo Jorge

Fonte: Diário do Nordeste

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