White Martins nega responsabilidade na crise do oxigênio e diz estar colaborando


Enquanto deputados estaduais articulam a abertura de uma CPI para investigar a escassez de oxigênio no Ceará, a principal fornecedora do insumo, White Martins, nega que o problema ocorra nos municípios que atende. Prefeitos cearenses têm reclamado de possíveis dificuldades impostas pela fornecedora a vender o produto a empresas intermediárias.

Em nota enviada nesta quinta-feira (25), a empresa informou ainda que se dispôs a fornecer parte da produção ao Governo do Ceará, para que seja distribuído a outras cidades. Contudo, reconhece limitações devido ao aumento rápido da demanda.

“Mesmo não sendo a empresa responsável pelo fornecimento e distribuição do produto a esses municípios, a White Martins tem participado de todas as reuniões capitaneadas pelo Governo do Estado, pelo Ministério Público e pela Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece) de forma transparente com o objetivo de atender às solicitações das autoridades e ao mesmo tempo cumprir integralmente os contratos vigentes com os seus clientes medicinais públicos e privados na região, incluindo todas as unidades da Secretaria de Saúde do Ceará”, diz a companhia no texto.

Reclamações e abertura de CPI

As principais queixas contra a empresa partem de prefeitos cearenses. Eles alegam que a White Martins estaria impondo dificuldade de acesso ao insumo, criando obstáculos à venda de oxigênio hospitalar para pequenos fornecedores que abastecem os diversos municípios cearenses.
Diante das reclamações, o deputado estadual Guilherme Landim (PDT) está colhendo assinaturas para a abertura de uma CPI na Assembleia Legislativa do Ceará.

“Nós temos pessoas morrendo nas filas por leitos de UTI e em hospitais, que estão em situação crítica de abastecimento de oxigênio. Se temos uma ‘megaempresa’ que produz o gás no Ceará, qual o motivo da dificuldade? Nós precisamos de respostas urgentes, e o que posso fazer como parlamentar é isso (propor uma CPI)”, afirma Landim.

Acordo com o Governo do Estado

Por outro lado, a empresa alega que, no último dia 23 de março, em reunião com o Ministério Público, se comprometeu a disponibilizar, por 15 dias, 200 mil metros cúbicos de oxigênio líquido.

“O governo estadual assumiu a responsabilidade de prover oxigênio medicinal para estes municípios e indicou a empresa Silton que fará a retirada do produto na planta da White Martins com um limite diário de 10 mil metros cúbicos de oxigênio líquido”, informa a companhia.

No último dia 12 deste mês, a White Martins já teria disponibilizado 80 mil metros cúbicos de oxigênio líquido por mês para Messer, que é a fornecedora que atende os distribuidores e revendedores dos municípios em questão.
A Assembleia Legislativa aprovou, na terça-feira (23), projeto de lei enviado pelo Governo do Estado para doação de oxigênio aos municípios cearenses em situação crítica por conta da pandemia da covid-19.

Alto consumo

A companhia fornecedora de oxigênio pondera que, apesar de ter disponibilizado o insumo para o Governo do Ceará, tem limitações na produção devido ao “crescimento exponencial no consumo”. Segundo a empresa, entre os meses de janeiro e março de 2021, a demanda cresceu 300%. Ela, porém, não especifica se a porcentagem diz respeito apenas ao Ceará.
Outro gargalo no fornecimento apontado pela companhia é a logística de distribuição. Segundo a White Martins, algumas distribuidoras não têm capacidade de receber equipamentos de maior porte, como carretas.

“Muitas unidades de saúde têm apresentado um aumento de consumo de oxigênio que vai além da sua capacidade de estoque instalada e da sua própria infraestrutura hospitalar de redes e central reserva de cilindros”, alerta a empresa.
A empresa diz ainda que está mobilizando reforço em sua infraestrutura para reforçar o atendimento.

📸 divulgação/MPCE.

Fonte: Diário do Nordeste

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