65% dos cearenses relatam perda de renda na pandemia, diz pesquisa da Sudene


Os moradores do Piauí, Ceará e Espírito Santo foram os que mais indicaram ter perdido renda por conta da pandemia, em um levantamento realizado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O estudo foi divulgado nesta terça-feira (3).
No Ceará, 65% relataram perda de renda, enquanto no Espírito Santo, foram 64%, e no Piauí, 79%.

O estudo, que ouviu 3.080 pessoas da Região Nordeste, além de parte dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, foi contratado pela autarquia para avaliar os impactos da crise sanitária e econômica na Região. As entrevistas ocorreram entre os meses de janeiro e abril deste ano.

Na pesquisa com a população, foram analisados fatores como renda, emprego, acesso a programas sociais, hábitos de consumo, saúde e educação. A pandemia da Covid-19 afetou negativamente a renda de 59% dos entrevistados. O impacto negativo foi maior entre os jovens adultos entre 31 e 40 anos (67%), com instrução até nível médio (60%) e renda até um salário mínimo (60%).

Com relação ao tempo para recuperar a renda:

30% dos entrevistados será necessário um período superior a um ano. Adultos de 31 a 40 anos de idade (37%), pessoas com instrução até nível fundamental (32%) e com renda até um salário mínimo (33%) foram os que mais citaram esse tempo de retomada.

83% dos moradores do Ceará citaram que seria necessário um ano para retornar a renda pessoal semelhante ao que tinha antes da pandemia. Na frente dos cearenses, estão os moradores do Piauí (93%) e de Alagoas (87%).

Ao serem questionados sobre a forma de atuação do governo federal para ajudar as pessoas a superarem a crise causada pela pandemia, as principais expectativas da população se relacionaram ao auxílio às empresas para a geração de empregos (58%), manutenção do programa renda emergencial (45%) e investimento em vacinas/acreditar na ciência (44%).

O estudo mostrou também que o investimento em vacinas gera mais expectativa entre os moradores da Paraíba (63%), Rio Grande do Norte (61%) e do Ceará (57%). Enquanto o desejo por auxílios às empresas para geração de empregos é maior entre os moradores do Rio Grande do Norte (73%) e Piauí (70%).

Os resultados da pesquisa irão nortear as ações da Sudene para o enfrentamento e superação da crise no Nordeste, levando em consideração as consequências econômicas e sociais.

Esses grupos da pesquisa apontam que os que mais sofreram com os efeitos da pandemia foram mercados menos estruturados e menos regulamentados e setores que dependem do contato com o consumidor direto, afetando especialmente municípios menores, com economias mais frágeis. Esses municípios foram atingidos por perda de renda, desarticulação da cadeia produtiva da qual eles participam e aumento nas despesas públicas.

No Ceará, o setor de eventos entre os mais afetados, de acordo com a maioria das respostas dos entrevistados.

Conforme a Coordenação-Geral de Estudos e Pesquisas, Tecnologia e Inovação (CGEP) da Diretoria de Planejamento da Sudene, responsável pela pesquisa, “o trabalho vai municiar a Sudene com informações estratégicas para que se construa uma maior compreensão do fenômeno e os desafios que estão postos para seu enfrentamento, no sentido do planejamento e articulação de políticas voltadas ao desenvolvimento ‘includente’ e sustentável da região”.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens / Fonte: Portal G1 CE

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